"Ser corintiano só ajudou", diz Fernando Galvão sobre DVD dos títulos do clube

Há quase 30 anos, quando se formou em jornalismo, Fernando Galvão não imaginava que um dia seria o roteirista e diretor do DVD sobre a conquista da Libertadores e do Mundial de clubes do seu time de coração.

Atualizado em 07/08/2013 às 16:08, por Vanessa Gonçalves.

Talvez, pensasse que os títulos viriam antes. Mas, como bom corintiano, esperou pelo ano perfeito de 2012.

Crédito:Arquivo pessoal Fernando Galvão roteirizou e dirigiu documentário sobre o Corinthians
Galvão iniciou a carreira no jornal e na rádio difusora de Jundiaí, passou por Notícias Populares, Folha de S.Paulo, Gazeta Esportiva e, finalmente, Rede Globo. Há doze anos, é editor de texto de esportes do “Jornal Nacional”.

À IMPRENSA, ele conta como foi produzir o DVD “E o mundo enlouqueceu”, que refaz a trajetória das conquista dos títulos internacionais do Corinthians em 2012.
Como surgiu a oportunidade de fazer o roteiro e dirigir o documentário? Fiz toda a cobertura do Corinthians na Libertadores e depois fui para o Japão cobrir o Mundial. A Globo Marcas, de uns anos para cá, tem feito alguns DVDs sobre os títulos dos clubes brasileiros, pois há um interessante do torcedor por esse tipo de produto.

Até antes do DVD do Fluminense, ano passado, eles contratavam uma produtora. Acontece que resolveram usar a própria estrutura da TV. O filme do Fluminense foi produzido pelo Sidney Garambone - Editor de Qualidade e Projetos Especiais do Esporte da emissor. Quando surgiu a ideia de fazer um DVD do Corinthians, ele me indicou. Aí a Globo Marcas entrou em contato comigo e eles me deram total liberdade para escrever o roteiro, embora depois tivesse que remetê-lo à apreciação da empresa e do Corinthians, porque o clube é parceiro no projeto.
Crédito:Divulgação Produto teve 30 mil cópias vendidas
Então a proposta aconteceu logo após o retorno do Japão? Sim. Eles me deram um prazo de 20 dias para escrever o roteiro e mais 15 dias para editar o documentário, pois tinha que estar pronto no comecinho de março deste ano.
E como foi fazer o roteiro do projeto? Comecei a imaginar algumas coisas. A historia já tinha sido contada, produzida e editada. Aí pensei: ‘pô, vou reescrever tudo isso? Vou perder um tempo danado e escrever mais do mesmo, porque, no final das contas os títulos é que contam’.

Peguei os VTs que o “Globo Esporte” produziu ao longo deste tempo e tentei recontar esta história em cima do que a Globo já tinha colocado no ar, com o acréscimo das entrevistas os jogadores. Daí saiu o esboço do roteiro.
Como selecionou os entrevistados para o DVD? Tinha algum critério? Eu tinha escolhido alguns jogadores, aqueles chaves nas conquistas, como Alessandro, Cássio, Emerson, Guerrero, Danilo, Paulo André, Tite. Conversar com os jogadores foi a parte mais difícil. Alguns fugiram da gente, outros sabíamos que não gostavam de dar entrevista. O caso do Alessandro é engraçadíssimo. Estava dentro da concentração para entrevistá-los. Entrevistei o Emerson, o Guerrero e o Alessandro não desceu para dar a entrevista. A minha tristeza é não ter o capitão dando uma entrevista diferente .
Dessas entrevistas saíram coisas novas? Quando comecei a conversar com eles vi que algumas impressões que eu tinha sobre as campanhas dos títulos batiam e outras não. Tinham coisas diferentes, algumas novidades, como o trecho em que o Tite conta que chorou após a derrota para o Botafogo na semana seguinte à conquista da Libertadores. Aí fui adaptando o roteiro em cima disso, ajustando os ganchos, alinhavando tudo. Pena que o material é enorme para um filme de apenas uma hora e meia.

Você é corintiano declarado. O coração falou alto na hora de fazer o trabalho? Como lidou com isso? Era um produto que ser torcedor [do Corinthians] até facilitava. Sempre deixei claro para os jogadores que o DVD não era pra ter um caráter jornalístico, mas era um registro histórico das conquistas. A ideia era revelar bastidores dos atletas para os torcedores. Não tinha pegadinha. E isso fez com que eles contassem coisas muito legais. Então, para mim, ser corintiano só ajudou. Eu tinha todas as informações.
Ter o Tiago Leifert apresentando o documentário soa estranho por causa da brincadeira que ele fez no passado sobre o Corinthians. Você não teve essa preocupação? A ideia do projeto é sempre ligar o produto, seja do Fluminense, Atlético-MG ou Santos, com o “Globo Esporte”. Como o Corinthians é um clube paulista e o “Globo Esporte São Paulo" é apresentado pelo Tiago, tinha que ser ele. Acho que a aceitação foi tão boa, que prova que ele é bem mais benquisto do que rejeitado pela torcida.
O filme teve uma grande repercussão. Quais sãos os números de vendas? Nas primeiras duas semanas foram vendidas 18 mil cópias. E na semana passada tive a informação que fechou em 30 mil. Mas a Globo Marcas só começou a divulgação na TV agora, acho que eles vão fazer nova prensa do DVD e comunicar de novo.