Sempre elas, por Rodrigo Viana

O atual-antigo técnico da Seleção Brasileira de futebol masculino, Carlos Caetano Bledorn Verri, cujo apelido Dunga parece ser não por acaso

Atualizado em 20/07/2015 às 17:07, por Rodrigo Viana.

Crédito:Leo Garbin , o homônimo do anão apático, mudo e sem voz está fazendo, no momento em que escrevo esta coluna, uma campanha pífia na Copa América de futebol. No Sub-20, os garotos – talvez com referenciais nos jogadores europeus – brilharam no Mundial. Mas o melhor desses tempos sombrios do futebol tem sido mesmo as meninas.
A Seleção Brasileira de futebol feminino fez um belo Mundial e é candidatíssima a uma medalha olímpica, no Rio 2016. Marta, a estrela do futebol feminino, venceu cinco Bolas de Ouro, título que a Fifa dá ao melhor do mundo em sua modalidade. Ao contrário de Neymar, que não venceu nenhuma, é coletivista, pensa no todo, volta para marcar e obedece o treinador. Neymar Jr., junto com seu pai, também chamado Neymar, está envolvido em um escândalo de milhões de dólares. Na transação que levou a jovem promessa do Santos para o Barcelona, o Santos não teria recebido todo o dinheiro da transação. A investigar.
Neymar se acha o dono da Seleção Brasileira. No jogo contra a Colômbia pela Copa América, desrespeitou companheiros e adversários. Foi expulso depois que a partida tinha acabado e foi peça fundamental na derrota do Brasil para os colombianos. Neymar nunca ganhou nenhuma Bola de Ouro. Parte da culpa desse cenário cabe à imprensa. Não à revista que me acolhe em linhas. Mas a todos nós que fazemos parte da mídia esportiva. Endeusamos Neymar, crucificamos Neymar numa capa de revista ( Placar ), passamos a mão na cabeça dele.
Sobre o futebol feminino, pouco falamos. Sobre a rejeição da CBF e dos clubes à chamada MP do futebol, medida provisória proposta pelo governo, que, entre outras coisas, sugere a integração do futebol feminino a todo time de futebol, não abrimos a boca. Com exceção de poucos blogueiros e alguns veículos, entre eles, a pública TV Brasil, pouco espaço tem se dado ao futebol feminino ao longo do tempo. Dá vontade de falar tudo isso. De gritar os desmandos do futebol brasileiro. De falar que falta jornalismo investigativo. Dá vontade de muita coisa num momento deste. Mas é preciso, antes de tudo, fazer o dever de casa. A nós, jornalistas, cabe principalmente isso.