Seminário traça novas reflexões sobre os rumos do jornalismo
Seminário traça novas reflexões sobre os rumos do jornalismo
Com cerca de 300 jornalistas presentes no Salão Nobre do Hotel Glória, no Rio de Janeiro, o Seminário "Jornalismo do futuro e o futuro do jornalismo", promovido pela revista IMPRENSA, com patrocínio da Petrobras, não deixou que ninguém saísse dos painéis e debates sem, ao menos, uma "pulga atrás da orelha" e novos planos para o fazer jornalístico.
Como era de se esperar, o tema "mundo digital" esteve presente em quase todas as falas dos grandes nomes do jornalismo que ali contribuíram de alguma forma, mas dessa vez o assunto apareceu de uma maneira diferente, não para discutir plataformas e novas mídias, mas para debater sobre a urgente necessidade de uma postura ética em busca da credibilidade da profissão.
Com destaque no discurso de Caio Túlio Costa, do iG, e ressonância nas falas de Ricardo Kotscho e Ricardo Noblat, a consciência moral mostrou-se como único filtro para a grande quantidade de conteúdo livre produzido diariamente na internet. "Não há nenhum filtro que controle essa mistura, então, no momento em que o jornalista não é mais o ator principal, mas mero coadjuvante, vejo que a única salvação é agir moralmente, dentro da ética", afirma Costa. Para Kotscho, a questão vai ainda mais longe e envolve a manutenção da essência da atuação jornalística "Não importa a plataforma em que se produza e veicule a notícia, o que não pode mudar é a natureza do nosso ofício, que é contar o que acontece da maneira mais honesta possível", defende.
Ao criticar a "mesmice" e a repetição quase que literal do conteúdo e das manchetes dos principais jornais do país, Noblat propõe uma maior utilização do que chamou "jornalismo de antecipação". "O jornalismo do futuro não deverá oferecer ao público o que ele julga precisar, mas deve surpreendê-lo. As pessoas querem saber o que vai acontecer, e não só o que já aconteceu", afirma.
E quando o assunto é o espaço de pautas como Responsabilidade Social, Cultura e Esporte na agenda de grandes veículos, Amélia Gonzáles, Mauro Tagliaferri e Zuenir Ventura são unânimes na defesa de mais espaço e de uma cobertura que seja levada mais a sério e melhor pautada. "Hoje, qualquer acontecimento facilmente se transforma em um evento e um evento se torna uma notícia que se impõe ao noticiário", conta Ventura, e completa: "Pode até parecer manipulação, mas é muito difícil fugir disso porque a internet propicia essa segmentação de informações".
Tagliaferri aproveita para destacar uma acentuada "perda de paixão" na atuação jornalística e cita as pautas ambientais como um importante mote para a luta dos ainda estudantes de jornalismo, público majoritário entre os presentes no Seminário. A fala de Tagliaferri repercute o debate de Paulo Totti, George Vidal, Washington Novaes e Mário Andrada, que ressaltam a importância do jornalismo e sua função social, além da dificuldade que se enfrenta no tratamento da notícia como commoditie .
O Seminário "Jornalismo do futuro e o futuro do jornalismo" aconteceu durante todo o dia da última segunda-feira (01), no Rio de Janeiro.
Confira abaixo a cobertura completa do evento:






