Seminário traça novas reflexões sobre os rumos do jornalismo

Seminário traça novas reflexões sobre os rumos do jornalismo

Atualizado em 03/10/2007 às 08:10, por Nathália Duarte/ Redação Portal IMPRENSA e  enviada ao Rio de Janeiro.

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Com cerca de 300 jornalistas presentes no Salão Nobre do Hotel Glória, no Rio de Janeiro, o Seminário "Jornalismo do futuro e o futuro do jornalismo", promovido pela revista IMPRENSA, com patrocínio da Petrobras, não deixou que ninguém saísse dos painéis e debates sem, ao menos, uma "pulga atrás da orelha" e novos planos para o fazer jornalístico.

Como era de se esperar, o tema "mundo digital" esteve presente em quase todas as falas dos grandes nomes do jornalismo que ali contribuíram de alguma forma, mas dessa vez o assunto apareceu de uma maneira diferente, não para discutir plataformas e novas mídias, mas para debater sobre a urgente necessidade de uma postura ética em busca da credibilidade da profissão.

Com destaque no discurso de Caio Túlio Costa, do iG, e ressonância nas falas de Ricardo Kotscho e Ricardo Noblat, a consciência moral mostrou-se como único filtro para a grande quantidade de conteúdo livre produzido diariamente na internet. "Não há nenhum filtro que controle essa mistura, então, no momento em que o jornalista não é mais o ator principal, mas mero coadjuvante, vejo que a única salvação é agir moralmente, dentro da ética", afirma Costa. Para Kotscho, a questão vai ainda mais longe e envolve a manutenção da essência da atuação jornalística "Não importa a plataforma em que se produza e veicule a notícia, o que não pode mudar é a natureza do nosso ofício, que é contar o que acontece da maneira mais honesta possível", defende.

Ao criticar a "mesmice" e a repetição quase que literal do conteúdo e das manchetes dos principais jornais do país, Noblat propõe uma maior utilização do que chamou "jornalismo de antecipação". "O jornalismo do futuro não deverá oferecer ao público o que ele julga precisar, mas deve surpreendê-lo. As pessoas querem saber o que vai acontecer, e não só o que já aconteceu", afirma.

E quando o assunto é o espaço de pautas como Responsabilidade Social, Cultura e Esporte na agenda de grandes veículos, Amélia Gonzáles, Mauro Tagliaferri e Zuenir Ventura são unânimes na defesa de mais espaço e de uma cobertura que seja levada mais a sério e melhor pautada. "Hoje, qualquer acontecimento facilmente se transforma em um evento e um evento se torna uma notícia que se impõe ao noticiário", conta Ventura, e completa: "Pode até parecer manipulação, mas é muito difícil fugir disso porque a internet propicia essa segmentação de informações".

Tagliaferri aproveita para destacar uma acentuada "perda de paixão" na atuação jornalística e cita as pautas ambientais como um importante mote para a luta dos ainda estudantes de jornalismo, público majoritário entre os presentes no Seminário. A fala de Tagliaferri repercute o debate de Paulo Totti, George Vidal, Washington Novaes e Mário Andrada, que ressaltam a importância do jornalismo e sua função social, além da dificuldade que se enfrenta no tratamento da notícia como commoditie .

O Seminário "Jornalismo do futuro e o futuro do jornalismo" aconteceu durante todo o dia da última segunda-feira (01), no Rio de Janeiro.

Confira abaixo a cobertura completa do evento: