Seminário marca 10 anos do plano de ação da ONU para proteção de jornalistas

Para marcar o Dia Internacional de Combate à Impunidade de Crimes Contra Jornalistas (2 novembro) e o aniversário de 10 anos do plano de ação da ONU para promoção da segurança de jornalistas, a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) realizou em Viena, Áustria, nos dias 3 e 4 de novembro, um seminário sobre proteção de jornalistas e profissionais de veículos de comunicação.

Atualizado em 04/11/2022 às 15:11, por Redação Portal IMPRENSA.


Volker Türk, alto comissário da ONU para direitos humanos, informou que na última década 958 jornalistas foram assassinados no mundo, mais de mil foram presos e 64 estão desaparecidos. Ainda segundo ele, desde 2006, apenas 13% dos assassinos de jornalistas foram julgados adequadamente.
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"Devemos reforçar os sistemas nacionais de justiça criminal, equipando-os com unidades especiais de investigação ou estruturas de investigação independentes. E garantir que eles tenham a experiência e os recursos necessários para lidar com esses crimes – mesmo quando cometidos por quem está no poder", acrescentou Volker.
Rússia

Dentre os palestrantes do evento, o jornalista russo Dmitri Muratov, ganhador do Prêmio Nobel da Paz pela defesa da liberdade de imprensa, acusou o Kremlin de "incitar um genocídio na mídia independente do país". Muratov fundou o jornal russo Novaya Gazeta, que teve destituída sua licença de mídia pelo Rozkomnadzor, órgão de censura russo, após o início da guerra na Ucrânia.
Familiares da jornalista palestina Shireen Abu Akleh, morta com um tiro na cabeça enquanto cobria pela rede árabe Al Jazeera uma operação militar israelense na Cisjordânia, também participaram do seminário. Eles reforçaram a necessidade de uma investigação independente sobre as circunstâncias do assassinato e cobraram os EUA pela punição dos responsáveis.
Outro caso destacado no evento foi o assassinato, em outubro de 2017, em Malta, de Daphne Caruana Galizia, uma das principais jornalistas do país. As investigações chegaram a ser colocadas sob suspeita por observadores internacionais, que acreditam que a polícia ignorou intencionalmente provas que pudessem levar aos autores do assassinato.
Na sessão que debateu recomendações para ataques com viés de gênero contra jornalistas, o seminário contou com participação de Cristina Zahar, secretária-executiva da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).