Seminário debate a política externa do governo Lula

Seminário debate a política externa do governo Lula

Atualizado em 14/10/2005 às 09:10, por Por: Vito Zanella / Assessoria de Imprensa.

O Laboratório de Estudos de Caso de Relações Internacionais da Universidade São Marcos, em associação com o Núcleo de Pesquisas de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP), e o patrocínio da Fundação Japão, realizaram nos dias 6 e 7 o Seminário Internacional A Política Externa do Governo Lula e seu impacto sobre as Relações Internacionais do Brasil com o Japão e os Estados Unidos, onde vários especialistas avaliaram a nova sistemática adotada pelo governo brasileiro nas relações com outros países, principalmente Estados Unidos e Japão. Apesar das críticas, o desempenho do presidente em melhorar a relação com outros países foi visto de forma bastante positiva.

O Seminário foi aberto pelo coordenador do curso de Diplomacia e Relações Internacionais da Universidade São Marcos, professor José Augusto Guilhon Albuquerque, que explicou sobre os novos eixos adotados pela política externa brasileira. Segundo Guilhon, essa nova postura revela o interesse do Brasil em melhorar sua posição no mercado internacional. Para atingir esse objetivo, foram realizadas algumas alterações, que abrangeram desde a mudança institucional sofrida pelo Itamaraty, até a própria persona do presidente. "Este, foi uma surpresa para todos, pois, se por um lado não apresentou muito projetos ou idéia novas, por outro, revelou uma enorme capacidade em estreitar laços. Com isso, a política externa, que antes se revelava muito passiva, deu uma guinada e ganhou novo fôlego", disse Guilhon.

Apesar de elogiada pelos debatedores presentes, todos concordaram que a relação com os outros países precisa de um certo cuidado. Para Elizabeth Balbachevesky, do Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais da USP, a postura do governo em temas transnacionais, por exemplo, foi bastante decepcionante. Para ela, apesar da abertura, a proposta do governo não se traduziu de forma concreta, principalmente no que se refere ao aumento de projetos sociais.

A relação com os Estados Unidos foi o tema que provocou mais discussões. Sidney Weintraub, do Center for Internacional Strategic Studies, e o Embaixador Rubens Barbosa discordaram abertamente sobre a postura dos dois países nas negociações internacionais. Sidney fez várias críticas ao Brasil, alegando que este se preocupa mais em fazer acordos geopolíticos do que acordos reais. Além disso, fez algumas insinuações sobre a relação entre o Brasil e a Venezuela, principalmente após as declarações antiamericanas do presidente Hugo Chavez. "O Brasil tem estreitas relações com a China e a Venezuela e não se sabe onde isso vai chegar. Eu diria que, de uma forma geral, Estados Unidos e Brasil estão decepcionados entre si", disse. Para ele, o problema está no fato dos Estados Unidos estarem mais interessados nos acordos de livre comércio com os países centro americanos e o Brasil no Mercosul. E finalizou afirmando que "se o Brasil quisesse realmente negociar com a ALCA, ele poderia conseguir muita coisa".

O embaixador Barbosa defendeu a postura do governo brasileiro, porque ela vai contra o monopólio dos Estados Unidos e Europa, principalmente no segmento agrícola. O embaixador acredita que a relação com os Estados Unidos melhorou muito nos últimos cinco anos, mas que as regras rígidas impostas pela ALCA têm dificultado novas negociações. Ele acha que essa recusa em aceitar regras tão absurdas tem o dificultado o acesso preferencial conseguido pelos países centro-americanos. E rebateu a insinuação sobre a Venezuela dizendo que a relação com o Brasil é puramente comercial, sem nenhum segredo. "Ele está tentando exportar a revolução sim, mas não acho que devemos levar isso tão a sério. O problema com os Estados Unidos é que não dá para aceitar regras que vão além do possível. A China, por exemplo, está fazendo uma política coerente de exportações. Ela é nosso exemplo de como ampliar o acesso ao mercado junto aos Estados Unidos".

Se a relação com os Estados Unidos anda meio conturbada, o mesmo não se pode dizer do Japão. A mesa-redonda que discutiu a relação entre Brasil e Japão contou com a presença do Cônsul Geral do Japão em São Paulo, Masuo Nishibayashi. O cônsul lembrou que em 2008 se comemora 100 anos da imigração japonesa ao país e disse que a data deve ser comemorada através de acordos bilaterais. O intuito é criar novas oportunidades de negócios, através da revitalização da relação econômica e o conseqüente aumento de investimentos japoneses no Brasil.

Japão e Brasil, que junto com Índia e Alemanha formam o G4, pretendem aprofundar as relações bilaterais no futuro, evitando, inclusive, a perda considerável do intercâmbio entre os descendentes. "Para isso, é fundamental a iniciativa da política externa brasileira e a necessidade de acordos que intensifiquem a relação entre os dois países", disse Nishibayashi.