Seminário: Crise de representatividade afeta imprensa, avaliam jornalistas

"Vivemos um dos momentos mais delicados e dramáticos do jornalismo", resumiu a jornalista e apresentadora do programa Entre Aspas,da Globonews, Mônica Waldvogel.

Atualizado em 15/10/2018 às 17:10, por Marta Teixeira.

delicados e dramáticos do jornalismo", resumiu a jornalista e apresentadora do programa Entre Aspas, da Globonews, Mônica Waldvogel. Convidada do 2º Seminário Internacional de Jornalismo, promovido pela ESPM e Columbia Journalism School, escola de jornalismo da Universidade Columbia, ela debateu o tema Democracia e Desinformação ao lado de Kyle Pope, editor da Columbia Journalism Review, e de Gilberto Dimenstein, editor do site Catraca Livre, nesta segunda-feira (15/10), em São Paulo. Crédito: /Portal IMPRENSA Falando sobre seu país, o norte-americano Pope chamou a atenção para a atual crise de credibilidade das instituições em geral, como Igreja, Congresso, e que afeta também o jornalismo. Para ele, o fenômeno do compartilhamento de fake news cresceu à medida que o público deixou de ter confiança na imprensa. Essa perda de confiança, considerou, foi decorrente, em grande parte, da crise de representatividade social na grande mídia.

"Enfrentamos um regime difícil de fontes nos Estados Unidos. Enfrentamos mudanças sociais gigantescas e a imprensa não conseguiu incluir todas essas categorias. Assim, o indivíduo sente que o jornalismo não reflete a realidade de suas comunidades. Isso criou realmente um desafio para as empresas de mídia", destacou.

Fenômeno semelhante foi notado no Brasil por Mônica. A apresentadora também acredita que a imprensa nacional deixou fora do seu escopo de debate segmentos importantes da sociedade. "Evoluímos muito (na representatividade) mas, certamente, ao dar voz a um lado oprimido, deixamos de dar voz a outro lado que agora vem porque estava represado", comparou, citando como exemplo os evangélicos.

A brecha acabou sendo explorada por grupos e figuras políticas. "Quando vem um candidato que diz: 'eu te entendo', é isso o que acontece", ressaltou. O resultado geral é o ambiente de polarização político/social que o Brasil enfrenta.

Ser ou não ser parcial?

Face a esse clima, Dimenstein considera que o momento exige um posicionamento claro do jornalista. "Isenção para alguém que coloca em risco a democracia é covardia. Não digo que o PT não deva ser alvo de críticas, mas imagine o que acontecerá se as milícias digitais assumirem o poder? Precisamos fazer a resistência gentil. Viramos quase assessor de imprensa da verdade", comparou.

Mônica apontou na direção oposta. "Jornalismo a favor, não importa de quem ou do que, é um mau negócio. A grande imprensa continuará cobrindo fatos e expondo opiniões diferentes."

Mediadora do debate, Angela Pimenta, presidente do Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo (Projor), ressaltou que o atual processo eleitoral no Brasil coloca desafios únicos em função das redes sociais e compartilhamentos por Whatsapp. Como resposta a esse fenômeno, ela aponta o exercício profissional com base em três pilares: checagem/verificação de informações; transparência midiática e mais integração com o público/leitor.


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