Sem acordo, Gazeta Mercantil deixa de circular a partir de 01/06

Sem acordo, Gazeta Mercantil deixa de circular a partir de 01/06

Atualizado em 28/05/2009 às 18:05, por Eduardo Neco/Redação Portal IMPRENSA.

Sem acordo, Gazeta Mercantil deixa de circular a partir de 01/06

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Reprodução
Capa do jornal
A Gazeta Mercantil não irá mais circular a partir da próxima segunda-feira (01/06), pois não houve consenso entre os representantes da Companhia Brasileira de Multimídia e da família de Luiz Fernando Levy, que volta a ser a proprietária do jornal e da marca, com o fim do acordo com a CBM.

Ficou acertado que todos os funcionários do diário entram em regime de férias remuneradas de trinta dias, que podem ser prorrogadas por mais trinta. O prazo tem valor de aviso prévio, caso nenhum acordo seja feito durante o período de recesso.

Segundo informam representantes da CBM, a empresa tentará realocar os funcionários no Jornal do Brasil e em outras publicações da companhia. Cogita-se, ainda, a criação de um portal de notícias econômicas que receba parte da redação da Gazeta , no entanto, não há nenhuma decisão acertada.

Guto Camargo, presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo (SJSP), afirmou ao Portal IMPRENSA que a entidade não recebeu nenhuma informação ou pedido oficial sobre o assunto.

"Não fomos informados sobre a circulação do jornal ou o destino dos funcionários. No entanto, se isso se efetivar, lamentamos muito, porque a situação é ruim para os jornalistas que trabalham na Gazeta e ruim para a comunicação brasileira, pois a informação será mais concentrada e monopolizada".

Arquivo IMPRENSA
Guto Camargo
Questionado sobre uma declaração de representantes da CBM, que afirmaram não querer o envolvimento do Sindicato nas próximas negociações, ele declarou que "a função do Sindicato é resguardar os direitos dos jornalistas, e é isso que nos propusemos a fazer nesse episódio".

Acordos da última reunião

Até a próxima segunda-feira (1), os salários de oito a doze mil reais referentes ao mês de abril serão depositados e durante a semana o grupo CBM buscará meios de sanar as demais pendências. Já as rescisões contratuais ainda não foram pagas por "total falta de recursos", segundo declarações do vice-presidente do Grupo CBM, Eduardo Jacomé.

Jacomé informou aos funcionários que existem três opções para salvar o diário: que a família Levy queira permanecer à frente do jornal; o aporte de investidores interessados ou que os próprios funcionários assumam a direção da Gazeta .

Ele explicou que "apesar da Gazeta ter mais capital, ele não entrava em caixa" por conta de ações trabalhistas. Por fim, ele agradeceu "o esforço e o alto nível" dos funcionários na tentativa de manter a circulação do diário.

De outubro do ano passado até o começo do mês de maio, segundo Jacomé, Nelson Tanure - presidente da CBM - investiu mais de R$ 20 milhões e, durante o ano passado, a empresa recebeu aporte de R$ 15 milhões para que jornal honrasse seus compromissos.

O último fechamento

Segundo fontes informaram ao Portal IMPRENSA, o clima na redação da Gazeta é desolador, totalmente contrário à agitação do fechamento da última edição do jornal. O choro é comum a quase todos os funcionários. O restante reage à notícia de forma áspera, negando-se a falar sobre o assunto.

"Temos que fechar o diário em situação precária. É muito triste; é muito choro e é bem difícil pensar que tudo isso está acabando hoje", declarou. "Tem gente que está aqui há quase vinte anos. É o trabalho de uma vida...".

História

Fundado em 1920 como um boletim diário de mercado, a Gazeta Mercantil fez história no Jornalismo brasileiro como a publicação mais tradicional sobre economia e negócios.

Dirigido por vários anos pela família Herbert Levy, uma crise financeira fez com que o controle acionário da publicação passasse para as mãos do empresário Nelson Tanure, da Companhia Brasileira de Multimídia (CBM), também proprietário da Editora Peixes e do Jornal do Brasil .

Segundo o último levantamento auditado pelo IVC, realizada em Julho de 2007, a tiragem do jornal era de 70 mil exemplares.

*Colaborou Ana Luiza Moulatlet

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