Secretário de Comunicação de MT é suspeito de assediar e grampear jornalistas

Kléber Lima, secretário de Comunicação de Mato Grosso, está sendo investigado pelo Ministério Público Estadual (MPE), que solicitou seu o af

Atualizado em 11/09/2017 às 12:09, por Redação Portal IMPRENSA.

Kléber Lima, secretário de Comunicação de Mato Grosso, está sendo investigado pelo Ministério Público Estadual (MPE), que solicitou seu afastamento imediato do cargo denunciou por mau uso da máquina pública, assédio moral e sexual contra jornalistas que trabalham como assessores de imprensa no órgão e improbidade administrativa. As informações são do G1 MT e da TV Centro América, que tiveram acesso à denúncia que está sob sigilo. Crédito:Assessoria GCom MT Segundo a reportagem, os servidores alegam que o secretário ameaçou grampear seus telefones, após suposto vazamento de informações sobre ele. O pedido de afastamento teria sido motivado por Lima ter remanejado ou colocado à disposição de outros setores servidores que prestaram depoimento aos promotores que investigam as denúncias contra ele. Um dos servidores relatou ao MPE que já foi retirado de todas as funções, sem que tivesse um novo local para trabalhar.
O advogado de Lima, Paulo Fabrini Medeiros, classificou como “absurda e infundada” a denúncia. Medeiros também afirmou que não houve improbidade administrativa e assédio sexual ou moral praticados pelo secretário.
O G1 MT teve acesso a um áudio de WhatsApp em que o secretário afirma não aturar mais um dos funcionários e que se pudesse o demitiria. Lima ainda pede que ele saia do grupo de troca de mensagens, que reúne assessores de imprensa do governo do estado, "para não contaminar os demais".
Em outro trecho do depoimento ao MPE, uma servidora denunciou o secretário por assédio sexual. Segundo ela, Lima teria forçado um beijo. "Na copa, que é um lugar público no Gcom, ele falou assim para mim: você nunca me deu um beijo. Quando eu dei bom dia, ele segurou a minha mãe e não soltou mais. Ele me puxou de uma forma que eu voltei, daí ele passou o braço em mim, meio que me abraçou. Fiquei muito constrangida", diz.
As represálias aos funcionários iniciaram após o questionamento deles sobre o uso da máquina pública da secretaria de Comunicação para beneficiar integrantes do primeiro escalão do atual governo, que pretendem disputar a eleição em 2018. Na ocasião, os servidores teriam sido proibidos de participar de protestos da categoria e recebido ameaças de terem os telefones grampeados.
Em maio, o Fantástico divulgou uma reportagem que denunciava o escândalo das interceptações clandestinas no âmbito da Polícia Militar do Estado. Uma das testemunhas afirmou que o secretário ameaçou grampear seu telefone ainda antes da matéria ir ao ar.
"Será que agora eu vou ter que grampear todo mundo aqui? Será que eu vou ter que fazer isso?", teria dito o secretário segundo informações de uma das testemunhas. Outro servidor afirmou ter medo de represálias. "Tenho essa preocupação porque o caso dos grampos envolve coronéis da Polícia Militar. E a gente sabe que, se o Kleber Lima tem acesso a esse recurso de grampear pessoas, também tem acesso aos coronéis e é possível outros atos ilícitos dentro desse grupo. Então essa é uma preocupação que eu tenho", declarou.
Segundo o conteúdo da denúncia revelada pelo G1, após ser informado sobre o inquérito contra ele, Lima publicou em um grupo de uma rede social, composto por 120 jornalistas do Gcom, uma imagem do pedido de investigação encaminhado pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) à Polícia Civil.
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