Seção Pinga-Fogo: LOBÃO, o editor
Seção Pinga-Fogo: LOBÃO, o editor
Participaram da entrevista Lina Garrido e Gabriela Miranda
Lobão,quem diria,virou coleguinha.Entre shows , gravações do programa “Saca Rolha ”,no Canal 21 – onde divide a cena com Marcelo Tas e Mariana Weickert – e eventos de divulgação de seu novo CD,, “Canções dentro da noite escura ”,o rebelde número um da cena musical brasileira ainda encontra tempo para reuniões de pauta,edição de textos e tudo mais que a rotina de um jornalista exige.Como editorchefe da revista Outra Coisa ,lançada no fim de 2003 e que se prepara para ser vendida em bancas portuguesas,Lobão está experimentando,do lado de dentro,o mundo do jornalismo.E está adorando.No último dia 22 de agosto,ele recebeu IMPRENSA no bar do hotel Meliá, seu QG em São Paulo,para a entrevista que marcou a volta da seção pingafogo,em que diversas personalidades elaboram perguntas que são repassadas ao entrevistado.É mais ou menos como uma coletiva, só que a distância.Nela,Lobão reafirmou sua vocação para a polêmica. Não perdoou Chico e Caetano,Zezé e Luciano, mensalão,PT,Lula e tudo o que estava ao alcance do seu pensamento.
IMPRENSA – Você votou no Lula??
LOBÃO – Eu não só votei no Lula como fiz campanha para ele desde 1989. E eu não sou do PT. Eu estou achando uma merda o que está acontecendo. Foi uma decepção terrível desde o início, quando deram o Ministério da Cultura para o Gilberto Gil. Puseram uma raposa em um galinheiro. Além disso, um presidente não pode ser fã do Zezé di Camargo e Luciano. Não pode, não pode, não pode...
IMPRENSA – Por que essa birra com o Gil?
LOBÃO – Porque ele é um contratado de multinacional, está a serviço das multinacionais – tanto ele como o Caetano.
IMPRENSA – Você odeia música sertaneja??
LOBÃO – Eu não. Só acho o Zezé di Camargo o cocô do cavalo do bandido. Um tomateiro de terceira, que joga no time da UDR (União DemocráticaRuralista). É um fazendeiro que entra e sai do Planalto a toda hora. Fizeram um filme deles agora que é uma porcaria!
Fernando Bonassi, escritor – Em sua opinião,,qual a maior façanha humana de todos os tempos?E a melhor posição sexual? Por quê?
LOBÃO – A maior façanha humana de todos os tempos é continuar acreditando no próprio homem. A melhor posição sexual é aquela que você consegue realizar. Não adianta nada, por exemplo, seguir um Kama Sutra e tentar uma posição de “cruz suástica em V”, uma posição esdrúxula... Existem hoje parâmetros olímpicos para o sexo que não se coadunam com a minha vontade sexual. Por exemplo: eu acho que um “papai e mamãe” pode ser muito mais semvergonha do que essa moda bem classe média de “vamos fazer um swing”. Não há nada mais classe média do que um swing. A promiscuidade mais barata é o swing.
IMPRENSA – Você é um cara religioso??
LOBÃO – A fé é covarde, é uma espécie de remorso. A esperança vem de dentro. A fé é você pensar que, fazendo algo bom, vai ganhar algo em troca ou em dobro. A pior miséria é você querer ganhar com a divindade. O plural de fé deveria ser fezes.
IMPRENSA – Você gosta de funk ?
LOBÃO – O funk é maravilhoso. Adoro Tati Quebra Barraco. O funk é uma revolução.
IMPRENSA – Até o Serginho e a Lacraia são uma revolução?
LOBÃO – Sim. “Vai Lacraia” é o máximo! Isso sim é bom. Já Tom Jobim... Dá vontade de tomar um tiro de tédio. Entre Edu Lobo e Lacraia, eu prefiro a Lacraia. Edu Lobo é parnasiano. O som dele é uma bosta! Eu quero sentir o cheiro de cu da população. Isso é Lacraia. Elis Regina, Edu Lobo, Chico Buarque e Caetano são o que há de pior na nossa música
IMPRENSA – Você continua com a cocaína?
LOBÃO – A cocaína é como se fosse um suéter velho, cafona, da Lacoste, que eu não gosto mais de usar, mas se você disser que tem aí... Olha, a minha cultura é a maconha.
IMPRENSA – Você é a favor ou contra o desarmamento?Disseram que você seria mascote da campanha...
LOBÃO – Mascote eu sou é do Comando Vermelho. E falo isso por causa do Belo (cantor). Eu fui preso várias vezes. Tive 132 processos. Um dia eu estava andando de motocicleta, em meados de 1992, e não me reconheceram. Então, fui preso. A carteira de motorista que eu portava eu tinha ganho do Comando Vermelho. Quer dizer, minha carteira era do Comando Vermelho. Há 20 anos eu falo isso: “Eu sou do Comando Vermelho!”. E se fosse o Belo falando, estava preso.
IMPRENSA – O que você acha de músicas engajadas politicamente?
LOBÃO – É uma coisa que sempre esteve fora de moda. A música engajadano Brasil é muito cafona. Música de protesto! Quer coisa mais maníacodepressiva que a música “é bonita, é bonita... viver e não ter a vergonha de ser feliz...”? É o hino do maníacodepressivo! Não digo a música do Gonzaguinha, mas a cultura em que nós nos colocamos é inapropriada.
Veja entrevista completa na edição 205 de imprensa






