Seção PingaFogo
DELCÍDIO,o namoradinho da mídia
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DELCÍDIO,o namoradinho da mídia
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DELCÍDIO,o namoradinho da mídia
Por Fotos de Luciana Novaes
O Senador Delcídio Amaral (PT) está em todas. Do alto do cargo de presidente das sessões da CPMI dos Correios – prato principal da crise política –, é ele quem dá as cartas.
A serenidade e o equilíbrio na condução dos trabalhos lhe renderam elogios até da oposição. Renderam, ainda, uma avalanche de convites para participar de programas de TV em todo o país. Junto com a fama nacional, veio o apelido de “namoradinho da mídia”, alcunha que ganhou força depois que o senador foi eleito, por um site gay, o parlamentar mais bonito de Brasília. Mas nem tudo são flores na vida desse ídolo pantaneiro. Candidato favorito ao governo do Mato Grosso do Sul, Delcídio Amaral está em pé de guerra com o PT local. E deve, em breve, deixar a sigla e voar de volta para o PSDB. Nesta edição da seção Pinga-Fogo, o Senador muda de posição e senta na cadeira dos sabatinados. Os “inquisidores” são treze jornalistas de ponta das redações brasileiras.
A versão completa da entrevista você encontra na edição de outubro da Revista IMPRENSA
RICARDO BOECHAT, Jornal do Brasil; RICARDO NOBLAT, Blog do Noblat; e GILBERTO DIMENSTEIN, Folha de S.Paulo – O senhor é um petista novo, oriundo do tucanato. Agora, o partido que escolheu, na opinião de muitos analistas, estaria condenado à morte eleitoral. O senhor se arrepende da mudança, da escolha que fez?
DELCÍDIO AMARAL – Não. Devo muito ao PT. Foi no PT que disputei e ganhei minha primeira eleição, já para o Senado Federal. O PT vive, é claro, um momento de dificuldade inesperado. Até poderíamos imaginar que um partido ainda sem experiência no exercício do poder pudesse ter falhas ou deficiências de gestão. As dificuldades, no entanto, atingem o PT naquela que foi e, tenho certeza, continuará sendo a sua principal bandeira: a ética.
HERÓDOTO BARBEIRO, TV Cultura e CBN – Como reagirão os eleitores, na eleição do ano que vem, em relação aos partidos que comprovadamente estão envolvidos com a corrupção?
DELCÍDIO AMARAL – É claro que um sentimento de decepção ou mesmo de tristeza deve ser constatado entre os eleitores que acreditaram na honestidade e na competência dos seus candidatos. No entanto, é importante que mesmo os desiludidos continuem acreditando na democracia e na capacidade de mudança que só esse regime permite.
JOSÉ HAMILTON RIBEIRO, Globo Rural – Se o senhor for eleito governador do Mato Grosso do Sul, o senhor vai decretar a moratória do Pantanal, para proibir qualquer desmatamento e proibir a pesca até que os peixes voltem aos rios pantaneiros?
DELCÍDIO AMARAL – Em Mato Grosso do Sul, a importância da conservação do meio ambiente é absoluta. Nós temos que lutar com todas as nossas forças pela conservação da natureza. Proibir desmatamentos é essencial. É essencial também que os peixes voltem aos rios pantaneiros. Nós temos inclusive que mudar a mentalidade do turista que procura o pantanal do Mato Grosso do Sul. O pantanal oferece inúmeras possibilidades para atrair turistas independentemente da atividade pesqueira. Beleza natural, seus pássaros, a natureza de modo geral podem, por exemplo, gerar um turismo fotográfico ou mesmo de observação.
LUIZ GONZAGA MINEIRO, diretor de jornalismo do SBT – Uma CPI muda o país?
DELCÍDIO AMARAL – Já mudou. Não só levando parlamentares à renúncia ou à perda de seus mandatos, como também afastando mais de 50 administradores públicos graduados de suas funções. Mais do que isso, uma CPI aponta distorções e possibilidades de correções na gestão pública. Um bom exemplo nós tivemos nos trabalhos da CPMI dos Correios, no que diz respeito ao controle de remessas para o exterior. Em colaboração com a Receita Federal, estamos fechando muitos vazamentos que a atual legislação ainda permite.
PEDRO VENCESLAU, revista IMPRENSA – O senhor acha que a imprensa está vivendo um clima de antipetismo?
DELCÍDIO AMARAL – A imprensa necessita de novidades permanentes. A atual crise tem sido um manancial de novidades. Nem sempre essas notícias representam o que está acontecendo de fato. Alguns veículos inclusive forçam a mão e transformam fatos que seriam menores em falsos ‘escândalos’. Não vejo uma imprensa antipetista. Ao contrário, até. Em muitos casos, jornalistas sérios competentes, têm sido absolutamente isentos no seu trabalho.
CLODOALDO SILVA, Correio do Estado - MS – A transferência da punição dos parlamentares envolvidos em denúncias para a Comissão de Ética não seria uma forma de isentar as CPIs dos Correios e do Mensalão, que são comandadas pelo PT e pelo PMDB, de punir os culpados?
DELCÍDIO AMARAL – Essa constatação não é verdadeira. O papel de uma comissão parlamentar de inquérito não é punir, mas sim investigar. Aprofundar, pesquisar, apurar e, então, recomendar uma ação para os foros apropriados.






