“Se o fotógrafo não buscar a renovação pode cair em uma zona sombria”, diz Mazzo

Fotógrafo profissional desde os 20 anos, Alexandre Mazzo desistiu por duas vezes de seguir trabalhando em redações. Natural de Londrina, interior do Paraná, Mazzo começou sua carreira no Jornal de Londrina e logo no início se deparou com seu primeiro furo.

Atualizado em 15/03/2012 às 18:03, por Luiz Gustavo Pacete.

“Naquela época, o movimento de sem terras no Brasil ainda era tímido e eles conseguiram entrar em uma fazenda invadida. Eu acompanhei essa movimentação e pela visibilidade que teve meu trabalho fui convidado pelo concorrente Folha de Londrina ”, lembra.
Fernanda Magalhães Ainda que tentasse sair definitivamente do ambiente das redações , Mazzo não se livrou do fotojornalismo. “Eu não aguentava mais aquele pique e estava decidido a fazer outras coisas com fotografia, mas minha ex-esposa foi transferida para Curitiba e eu voltei a 'freelar' novamente para a Folha de Londrina , desta vez na sucursal”.

Após um tempo na sucursal, Mazzo tentou novamente desistir. “Queria voltar a estudar mais fotografia, alçar outros voos, mas não teve jeito, fui para São Paulo, comecei a fazer freelas em revistas, entre elas Forbes e Istoé ”.
José Pacheco Apesar das tentativas sem sucesso para mudar de carreira, chegou a hora em que ele conseguiu. Decidiu que queria fazer fotos publicitárias e aceitou ser assistente de fotografia do renomado fotógrafo Sérgio Sad. Ficou trabalhando com ele por oito anos. “Foi uma grande escola e assim que deixei seu estúdio trabalhei com outro fotógrafo chamado Fernando Viviane, fiquei um tempo e resolvi montar meu estúdio”, diz.
Marcelo Almeida Depois de algum tempo fotografando para o mercado publicitário, Mazzo foi convidado em 2008 pelo jornal Gazeta do Povo para participar do então recém-lançado projeto “Bom Gourmet” que hoje se transformou em revista. Desde 2010, Mazzo é editor de fotografia do jornal e destaca seu desafio. “A minha proposta é repensar a fotografia e fazer com que nossos repórteres fotográficos revejam seu próprio trabalho”.

Pe Jorge Morkis Entre idas e vindas, Mazzo descobriu que se identifica com retratos. “Eu me descobri um retratista e, além disso, tenho comigo a motivação de estar constantemente repensando e experimentando a fotografia. Tento incentivar os jovens a utilizar novas técnicas e ferramentas”.

Mazzo ressalta que se o fotógrafo não buscar a renovação, pode cair no esquecimento ou até mesmo em uma zona sombria. “Isso não é uma coisa simpática, se você acompanhar as agências internacionais vai ver que ainda existem grandes profissionais independente do equipamento e que se reiventaram”.
Teresa Urban Sobre a implementação de técnicas e ferramentas ele alerta que a questão não é manipular a imagem, “mas aproveitar todas as tecnologias disponíveis e não ter medo do novo", conclui.

Nestas imagens, Mazzo mostra retratos de personalidades ligadas ao Paraná. O resultado faz parte da “Série Entrevistas” um produto editorial desenvolvido na Gazeta do Povo de julho a novembro de 2011.