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"Se Veja não fizer, quem vai fazer?", diz Roberto Civita sobre mercado de Jornalismo no Brasil

"Se Veja não fizer, quem vai fazer?", diz Roberto Civita sobre mercado de Jornalismo no Brasil

Atualizado em 08/11/2010 às 18:11, por Karina Padial/Redação Revista IMPRENSA.

"Se Veja não fizer, quem vai fazer?", diz Roberto Civita sobre mercado de Jornalismo no Brasil

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Roberto Civita
Liberdade de expressão e cerceamento à imprensa. Questões como essas têm se tornado cada vez mais presentes na discussão sobre o cenário atual de comunicação no Brasil e no mundo. O papel e os limites da imprensa têm sido constantemente questionados "Está cheio de gente que quer se meter no controle direto e indireto, disfarçado ou não, da liberdade de imprensa", avalia à IMPRENSA Roberto Civita, presidente do conselho de administração do Grupo Abril e um dos principais empresários de comunicação do país.
Além disso, reflexões sobre os rumos e o futuro do jornalismo diante da clara necessidade de renovação dos veículos também estão sempre na pauta de debate sobre comunicação. Civita vê desníveis e despreparo nas redações e acredita que a qualidade do jornalismo realizado no Brasil ainda tem que melhorar. "Vamos dizer que a imprensa brasileira, embora boa, precisa elevar o nível geral das competências das redações", explica. Por esse motivo o empresário resolveu financiar um novo projeto no país: a Pós-Graduação em Jornalismo com ênfase em Direção Editorial, da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing). Voltada para jornalistas no meio da carreira que querem se preparar para uma segunda fase em que vão assumir postos de direção, o curso é uma realização pessoal de Civita. "Não tem um tostão da Abril e estou tentando nem utilizar o pessoal da empresa. Estou fazendo isso com discernimento. Este [projeto] é pessoal", explica.
Diante desse cenário, Civita falou com IMPRENSA sobre seu projeto e avaliou o mercado e a situação atual do jornalismo no Brasil. Veja o que o empresário disse sobre esses temas.
CENÁRIO ATUAL "Está muito bem, mas precisa melhorar bastante. Vejo desníveis e despreparo evidente, tem gente que tem boa vontade e despreparo. Eu vejo coisas todos os dias que eu digo: 'Ih meu Deus, aqui faltou alguém editar esse texto direito, alguém que entenda de matemática, de estatística, demografia'. Vamos dizer que a imprensa brasileira, embora boa, e especialmente boa na defesa das liberdades de expressão e no seu trabalho investigativo, precisa elevar o nível geral das competências das redações. Isso exige grandes dirigentes que saibam treinar, porque as escolas de jornalismo não são suficientes. Tem coisa que não se aprende na escola e que se aprende na vida real e a mistura do que se aprende na redação e na escola, e o que eu espero, a síntese que vai sair disso, vai ser no nível de pós-graduação."
NOVO CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO "Fui na ESPM e disse que eu gostaria de fornecer os meios para criar a Escola de Pós Graduação, inicialmente um curso e depois transformar numa escola, espero, de pós- graduação em jornalismo. E não existe no Brasil um curso de mestrado de alto nível em jornalismo e eu sinto falta e acho que todos sentem. Acho que seria importante para o país e para os meios jornalísticos brasileiros terem uma escola de alto nível para formação dos futuros diretores de redação, de TV, internet, rádio, jornal, revista e o que for. Eles [da ESPM] acharam ótima a ideia e eu me prontifiquei a ajudar na montagem desse curso. Aí José Roberto Whitaker Penteado e mais o professor Richard Lucht e eu fizemos uma viagem aos Estados Unidos no ano passado para visitar as principais escolas de pós-graduação dos EUA em jornalismo. Para que? Para ratificar e para aprender e verificar se o que eu tinha em mente, batia com a experiência deles, conquistada ao longo de muitas décadas. Fomos para quatro universidades e verifiquei com enorme alegria e satisfação que o currículo que eu tinha elaborado sozinho, antes de ir, é muito parecido com o currículo que eles têm lá e fiquei primeiro contentinho, depois muito surpreso com essa semelhança. Pensei: de onde vem meu currículo? Vem de 50 anos de lidar com dirigentes de redações e perceber o que falta para eles saberem. È um currículo basicamente para jornalistas competentes, as estrelas, no meio da carreira, gente que tem um mínimo de 10 anos de experiência de redação para prepará-los para a segunda etapa de suas carreiras, para prepará-los para exercer esse cargo de direção nas suas respectivas organizações. E é isso que vamos fazer a partir de março do ano que vem com a primeira turma desse primeiro curso." DIPLOMA "Para dizer a verdade o que eu defendo é o seguinte: eu acho que o diploma de jornalista pode ser útil. Estou feliz que no Brasil agora é possível que um historiador ou um economista, médico, advogado possa exercer a profissão, acho que se aprende muito exercendo a profissão. Nada melhor do que a prática, mas eu acho que o curso de mestrado, de pós em jornalismo, ajuda a pegar toda a experiência anterior e botar ordem na cabeça das pessoas porque tem coisas que você não aprende no curso de graduação e nem no dia a dia. Dou um exemplo: gestão de pessoas, organização de uma redação, processos, lidar com a representação gráfica de números em qualquer meio, lidar com a legislação da imprensa, questões éticas, quando você publica ou não, porquê. Enfim, essas questões não surgem no início quando você começa a carreira, surgem mais tarde quando você está subindo na carreira." LIBERDADE DE IMPRENSA "O que tem é uma permanente tentativa, se não é diária é semanal, de gente querendo limitar, cercear, constranger, coordenar, regular. Está cheio de gente que quer se meter no controle direto e indireto, disfarçado ou não, da liberdade de imprensa. A ameaça é constante e nós [da imprensa] temos que estar unidos e vigilante e ativos o tempo todo para preservar esta coisa que é tão fundamental para a existência da democracia, da construção de um país melhor. Sem a imprensa livre, não há esperança de fazer isso. E os inimigos da imprensa livre, estão aí, principalmente todos que pensam: 'ah, como seria melhor se ninguém me criticasse, se só aplaudissem, se nunca apontassem as nossas falhas, se não investigassem as roubalheiras, se não fizessem aquelas coisas todas que é o que a imprensa tem fazer'. Por que se a Veja não fizer quem vai fazer? Portanto tem que ter uma imprensa forte, independente, ética, comprometida com o destino do país, e livre, pelo amor de Deus, gente. Agora os inimigos da liberdade estão aí sempre. O preço dessa liberdade, como alguém já disse, é a eterna vigilância, infelizmente."

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