SBT corta “liberdade” de Rachel Sheherazade, por Fabio Maksymczuk

Rachel é uma jornalista de personalidade. Por isso mesmo, agrada alguns. Desagrada outros.

Atualizado em 17/04/2014 às 12:04, por Fabio Maksymczuk.

Nesta semana, a assessoria de imprensa do SBT encaminhou Comunicado Oficial sobre a nova fase do “SBT Brasil”. De acordo com o informativo, a apresentadora perdeu a “liberdade” de emitir a sua opinião. Confira na íntegra: “Em razão do atual cenário criado recentemente em torno de nossa apresentadora Rachel Sheherazade, o SBT decidiu que os comentários em seus telejornais serão feitos unicamente pelo Jornalismo da emissora em forma de Editorial. Essa medida tem como objetivo preservar nossos apresentadores Rachel Sheherazade e Joseval Peixoto, que continuam no comando do SBT Brasil”. E isso se acentuou após o comentário sobre a falta de justiça que assola o Brasil. A jornalista compreendeu o achaque sofrido por um meliante no Rio de Janeiro. Em fevereiro, um adolescente ficou preso a uma tranca de bicicleta em um poste no Aterro do Flamengo, zona sul da “cidade maravilhosa”. Assaltos sempre ocorrem na região. Sheherazade explicou que isso é um contra-ataque aos bandidos. Uma legítima defesa coletiva. Tal posição arrebatou uma forte polêmica, principalmente entre os chamados “defensores dos Direitos Humanos”. Até mesmo, agitou o meio político. A deputada federal comunista Jandira Feghali entrou com representação na procuradoria-geral da República. A política carioca pediu, entre outras coisas, “a suspensão do repasse de verbas oficiais ao Sistema Brasileiro de Comunicações enquanto perdurar o inquérito e a respectiva persecução penal, e que ela comine, em caso de condenação, pena administrativa de vedação de tais repasses, bem como a análise da própria concessão, por inidoneidade daquela empresa concessionária de serviço público”. É justamente nesse ponto que mora o perigo. Países vizinhos, como Argentina, Venezuela e Equador, que adotam uma linha de pensamento semelhante ao atual Governo, não “idolatram” a imprensa livre. Sem as tais “verbas oficiais” (patrocínio das estatais, por exemplo), o governo poderia fragilizar o “caixa” do SBT. Além disso, há ainda o imbróglio do Banco PanAmericano. Uma forma tupiniquim de “controlar” o que é dito no telejornal. Em outros países limítrofes ao Brasil, a importação de papel-jornal e a escassez do material são utilizadas como ferramentas para diminuir a circulação dos veículos impressos. O “jeitinho brasileiro”, mais uma vez, deu o ar de sua graça. Rachel continua na bancada do “SBT Brasil”. Porém, sem a liberdade de emitir a sua opinião. As tais “verbas oficiais” deverão estar garantidas nesse período. O telejornal da emissora de Silvio Santos perde a sua principal característica e fica igual aos concorrentes. Notícia atrás de notícia. Sem análises. Sem postura. A liberdade de expressão é afetada. Boris Casoy sofreu o mesmo processo na Record. Hoje, o veterano apresentador aparece escondido na madrugada da Band.
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