Sargento que assumiu homossexualidade na revista Época é preso na RedeTV!

Sargento que assumiu homossexualidade na revista Época é preso na RedeTV!

Atualizado em 04/06/2008 às 13:06, por Ana Luiza Moulatlet/Redação Portal IMPRENSA.

Sargento que assumiu homossexualidade na revista Época é preso na RedeTV!

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O sargento Laci Marinho de Araújo foi preso pela Polícia do Exército na madrugada da última quarta-feira (03), enquanto dava uma entrevista à apresentadora Luciana Gimenez no programa Superpop, da RedeTV!

De acordo com a RedeTV!, a sede da emissora - situada em Barueri, na Grande São Paulo - foi cercada pelo Exército na noite da última terça-feira (02). De Araújo e seu companheiro, o também sargento Fernando Figueiredo, falavam sobre o fato de terem admitido, em entrevista de capa da revista Época desta semana, uma relação homossexual.

A emissora divulgou imagens do ocorrido na manhã da última quarta, que mostravam os sargentos tentando argumentar contra a prisão, sem sucesso. Procurada pelo Portal IMPRENSA, a RedeTV! afirmou que não comentará o assunto.

O coronel César Augusto Moura, chefe da Seção de Comunicação Social do Comando do Sudeste, explicou, em entrevista ao Portal IMPRENSA, que De Araújo é considerado desertor pela Justiça Militar desde 21 de maio de 2007, e foi preso por um mandato de busca domiciliar e prisão, assinado pela juíza Vera Lúcia da Silva Conceição.

O coronel afirmou que a Polícia do Exército não cercou a emissora, apenas ficou na porta esperando o sargento, que em um primeiro momento se negou a sair. Após ter concordado em se entregar, abalado e chorando, ele foi encaminhado ao Hospital Militar, onde será atendido por um psiquiatra.

De acordo com o coronel, a prisão não ocorreu por De Araújo estar na emissora. "Ele cometeu um crime militar, tínhamos o mandato expedido e ele seria preso em qualquer lugar". Moura também alega que o fato do sargento ter assumido a homossexualidade não tem relação com a prisão, porque seu companheiro, o sargento Fernando Figueiredo, não foi preso.

"No Exército não fazemos distinção de credo, raça ou sexo. A homossexualidade do sargento nunca atrapalhou seu trabalho na corporação", declarou Moura.

Em entrevista à Rede TV!, após a entrada da Polícia do Exército na emissora, De Araújo acusou o Exército de "forçar" a situação para a prisão: "eles forçaram a situação e forjaram um laudo para me colocar como apto ao serviço, sendo que eu não estou apto, pois estou passando por um transtorno emocional grave".