Sara Silveira leva nosso cinema para o exterior, por Rui Martins*
Sara Silveira leva nosso cinema para o exterior, por Rui Martins*
Hoje ela está entre os maiores produtores do cinema nacional. E sua companhia de produção vai chegar aos 19 anos com filmes apresentados em dois festivais internacionais de prestígio - o de Locarno, onde concorre na competição, e o de Veneza. Dotada de grande energia e dinâmica, Sara Silveira fez seu nome nos meios internacionais. Hoje em Locarno, ela aguarda a decisão do júri com relação ao filme de Esmir Filho, Os Famosos e os Duendes da Morte, mas já pensa na sua ida em setembro a Veneza, onde estará o filme Insolação, de
"Já estive aqui em Locarno com dois outros filmes O Bicho de Sete Cabeças, da Laís Bodanski, e Dois Córregos, do meu amigo e sócio, o cineasta Carlos Reichenbach. Estou ansiosa mas contente por estar aqui em Locarno, que é um festival de autor bastante importante, com o filme do Esmir Filho, para quem é um extraordinária oportunidade essa de mostrar seu primeiro longa em Locarno.
O fato de ter vivido na França, depois de ter feito Direito no Brasil, me trouxe numerosos conhecimentos e me facilita os contatos para levar à Europa os meus cineastas. Desde que fiz minha opção pelo cinema, dedico especial atenção para o lado internacional. Eu acho que nossos filmes tiverem a alavanca dos festivais internacionais, o publico e os distribuidores nos olharão com maior carinho nas exibições no Brasil, pois existe sempre o problema de se ter salas para a exibição dos nossos filmes.
Eu acho que os festivais internacionais são um atalho, um tanto grande é verdade porque tenho de fazer uma volta enorme, para poder conseguir salas e poder exibir nossos filmes no Brasil.
Com relação ao Festival de Veneza, esse é outro festival com o qual tenho uma boa relação graças ao Marco Muller, que é seu diretor".
Embora alguns esqueçam, Marco Muller, ítalo-germano tem origem brasileira pela mãe, e fala mesmo o português. Ex-diretor dos festivais de Roterdam e de Locarno, um grande admirador do que na época se chamava "cinema da boca do lixo", do falecido Rogério Sganzela e seu Bandido da Luz Vermelha, Muller comanda Veneza, para onde leva o que há de melhor no Brasil.
Sara Silveira lembra que os dois filmes anteriores em Locarno, O Bicho de Sete Cabeças e Dois Córregos, foram selecionados na gestão de Marco Muller em Locarno.
"Fiquei muito feliz com aceitação em Veneza, por Marco Muller, do filme bem de autor como é Insolação, do estreante em cinema Felipe Hirch e de Daniela Thomas, que já fez filme com Walter Salles. Meus contatos para levar esse filme a Veneza ocorreram em Cannes, quando mostrei fragmentos a Marco Muller. Ora, depois de ver esses fragmentos, Muller me pediu para mandar mais, mesmo se tivesse dito que o filme é pequeno e que nós não temos dinheiro para um rápida conclusão, mesmo porque sendo um filme de autor, bem alternativo, era difícil a captação de recursos. Mas mandei tudo o que tínhamos e, em dois ou três dias, recebo do Marco o recado - "quero esse filme em Veneza! Fiquei entusiasmada com essa grande oportunidade para levar esse filme que fala de amor e nostalgia, numa Brasília dos anos 70, filme tão trabalhado, que parece desenhado, puxado no elenco pelo ator Paulo José. Esse filme é produzido pela 19 Som Imagem em colaboração com a Nós Outro, do Beto Amaral e do Pedro Igor. Aceitamos o desafio de Veneza, estamos tendo problemas seríssimos para terminá-lo nestes poucos dias que nos restam e o que complica com minha presença aqui em Locarno, me obrigando a ficar em contato direto por Internet e por telefone.
"Para o ano que vem, nossos 19 anos de produção, vamos ver se teremos um novo filme do meu sócio Carlos Reichenbach. Temos também o projeto Trabalhar Cansa, de Juliana Rojas e Marco Dutra, que deve começar a ser filmado em novembro, com ambições internacionais, pois já estiveram na Semana da Crítica em Cannes. Vamos ver se dessa vez consigo emplacar Cannes com eles.
"Terei também o filme com Caetano Gotardo, cujo título será O que se move. E uma co-produção com a Espanha, de Helvécio Marin, Girimunho. Mais o projeto de Anna Muylaert, será seu segundo longa, É Proibido Fumar. Mais um de Carolina Leone, e o Ponto.Org de Patrica Maran".
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