Salão reune 13,5 mil pessoas em debates sobre jornalismo e literatura

Salão reune 13,5 mil pessoas em debates sobre jornalismo e literatura

Atualizado em 19/11/2007 às 13:11, por Cristiane Prizibisczki/Redação Portal IMPRENSA.

Por

A capital paulista recebeu, no último final de semana, o 1º Salão Nacional do Jornalista Escritor. Formado por entrevistas, debates, palestras, exposições, lançamentos de livros e atrações infanto-juvenis, o evento reuniu autores renomados do jornalismo e da literatura. Nos quatro dias de atividades - o evento foi realizado entre a última quinta-feira (15) e domingo (18) - passaram pelo Memorial da América Latina cerca de 13,5 mil pessoas, entre estudantes, profissionais da comunicação e interessados.

No último domingo, os primeiros a subirem ao palco foram Juca Kfouri e Moacyr Scliar. Durante a sabatina da platéia, Kfouri falou de sua clara paixão pelo futebol, de como chegou às redações e de seu trabalho na rádio CBN. Scliar, por sua vez, fez um mergulho no ofício de escritor. "Tenho uma visão múltipla da escrita e sei que consciente e inconsciente se unem neste processo. A inspiração está na cabeça da pessoa, não vem de fora, e é uma união da fantasia inconsciente somada com a expressão consciente", ensinou Scliar, autor de quase 80 livros.

Logo após a sabatina, foi a vez de Caco Barcellos, Domingos Meirelles e Eliane Brum subirem ao palco, no debate "Livro-reportagem, fronteira literária do jornalismo". Durante a atividade, Brum defendeu a apuração exaustiva e classificou o livro-reportagem como uma peça de resistência do jornalismo. Meirelles e Barcellos contaram suas experiências na profissão e os processos que os levaram a escrever seus livros.

O último encontro da tarde foi com Mino Carta, que disparou suas críticas a vários veículos de comunicação e jornalistas. "Vivemos em um país medieval onde os patrões têm status divino [...]. O jornalismo brasileiro é um dos piores do mundo e, além disso, é extremamente mal escrito. Para ser jornalista, o básico é ter uma lida fácil com a nossa língua", disse.

Além dos jornalistas que participaram das atividades do domingo, também compareceram ao evento muitos outros, como Luis Fernando Veríssimo, Ruy Castro, Ricardo Kotscho, Jaguar, Carlos Heitor Cony, Zuenir Ventura, Eric Nepomuceno e Ignácio de Loyola Brandão. O evento ainda contou com uma exposição sobre a história da ABI e outra com uma seleção de capas e ilustrações de livros feitas pelo artista gráfico Elifas Andreato.

Para Adaulio Dantas, vice-presidente da Associação Brasileira de Imprensa e um dos organizadores do evento, todos os autores que participaram do salão contribuíram decisivamente para seu sucesso. "Eu não tenho duvida que esse é o maior evento de literatura e jornalismo que nos conseguimos organizar no país com essa amplitude, com esse número de autores da maior importância e, principalmente, com a participação do publico", disse, em entrevista ao Portal IMPRENSA.

Segundo ele, a idéia é tornar o evento anual, sempre com alternância entre São Paulo e Rio de Janeiro, como hoje é realizada a Bienal do Livro.

O 1º Salão Nacional do Jornalista Escritor, dedicado ao jornalista escritor Joel Silveira, falecido em agosto passado, foi realizado como parte das comemorações dos 100 anos da ABI e do 2º centenário da Imprensa no Brasil.

Foto: Cacalo Kfouri