Saga Brasileira
Atualizado em 02/05/2013 às 17:05, por
Jose Marques de Melo.
Apesar das evidências que demonstram a presença de estudos sobre comunicação no Brasil desde o início do século passado, na verdade a constituição de um campo acadêmico, integrando ensino e pesquisa, só vai se dar na década de 60.
O marco fundador desse campo tem sido consensualmente localizado no tempo (1963) e no espaço (Recife). Trata-se da criação do Instituto de Ciências da Informação – ICINFORM – por iniciativa de Luiz Beltrão. Inicialmente conveniado com a Universidade Católica de Pernambuco, esse organismo associou-se depois à Universidade de Brasília e fez convênios com outras universidades brasileiras.
O protagonismo recifense, atraindo atenções de todo o pais, materializou-se através das pesquisas que Luiz Beltrão e seus colaboradores realizaram em 1963, do curso nacional de aperfeiçoamento em comunicação e desenvolvimento promovido em 1964 e do lançamento do primeiro periódico científica da área – Comunicações & Problemas – datado de 1965.
Tais acontecimentos estão sendo comemorados, no ano do cinquentenário, por iniciativa da SOCICOM – Federação Brasileira das Sociedades Acadêmicas de Comunicação. Em parceria com o IPEA, órgão mantido pela Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, a memória do campo está sendo resgatada no volume 3 da série “Panorama da Comunicação e das Telecomunicações no Brasil”. Por sua vez, a INTERCOM, principal entidade da nossa comunidade acadêmica, está publicando uma edição fac-similada da revista Comunicações & Problemas (4 tomos). Fiel à sua missão de preservar a memória do campo comunicacional, a Rede ALCAR hipoteca apoio decisivo para a edição de um conjunto de Dicionários Histórico Bio-bibliográficos do Pensamento Comunicacional Brasileiro, cujos primeiros volumes focalizam as comunidades de Alagoas, Piauí e São Bernardo do Campo (SP).
Projetando o Brasil no cenário internacional, a SOCICOM vai lançar na cidade do Porto, Portugal, uma Mostra Digital do Cinquentenário das Ciências da Comunicação no Brasil, durante a solenidade de inauguração do II Forum Mundial da Confederação Iberoamericana de Ciências da Comunicação.
Esse conjunto de ações destina-se não apenas a resgatar a trajetória histórica do nosso campo, representando uma ocasião oportuna para se fazer uma avaliação crítica do caminho até agora percorrido, bem como para vislumbrar futuras iniciativas, em sintonia com as demandas da sociedade brasileira.
Torna-se estratégico pensar o futuro das ciências da comunicação, tendo como referência a saga brasileira. Contemplando a nossa inserção soberana no bojo da sociedade global, temos o dever de superar o mimetismo que até agora nos atrela à periferia do capitalismo cognitivo.
Jornalista, professor universitário, pesquisador científico, consultor acadêmico, autor de diversos livros, foi docente da ECA-USP e é atualmente o titular da Cátedra Unesco de Comunicação na Universidade Metodista de São Paulo (www.marquesdemelo.pro.br).





