RSF protesta contra investigação de ONGs comandadas por jornalistas na Nicarágua
RSF protesta contra investigação de ONGs comandadas por jornalistas na Nicarágua
A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) protestou nesta sexta-feira (10) contra uma investigação promovida pelo governo da Nicarágua contra dezessete organizações não-governamentais. Entre elas, estão o Centro de Investigação da Comunicação (CINCO), dirigido pelo diretor de programas audiovisuais Carlos Fernando Chamorro, e o Movimento Autônomo de Mulheres (MAM), presidido pela jornalista Sofía Montenegro.
As duas ONGs têm sido objetos de uma "violenta" campanha de calúnia, acusadas de lavar dinheiro e intermediar negócios ilícitos. Para a RSF, o fato pode pôr em perigo o direito de informar e de criar associações, prejudicando liberdades constitucionais fundamentais. Em setembro, a primeira-dama do país, Rosario Murillo, acusou publicamente a CINCO, a MAM e a organização OXFAM-Gran Bretaña - que supervisiona um acordo de cooperação entre as duas primeiras - de promover "um plano de desestabilização contra o governo".
Segundo a RSF, as ações administrativas e judiciais contra a CINCO e a MAM "comprometem o futuro da sociedade civil como vetor de debate democrático". A RSF considera que esta ação está destinada a manchar a reputação de Sofía Montenegro e Carlos Fernando Chamorro.
Produtor de vários programas audiovisuais, Chamorro sofreu os primeiros ataques pessoais ao revelar, em junho de 2007, um caso de desvios de fundos que envolvia a Secretaria da Frente Sandinista de Liberação Nacional (FSLN, no poder).
"Naquele momento, todos os dias aparecia minha foto no Canal 4, o canal governamental, com menções de 'mafioso', 'terrorista', 'traficante de droga' e 'assassino de camponeses'. Desde maio voltaram a usar esse procedimento, desta vez com as acusações de 'agente da CIA' e 'agente do imperialismo', em alusão ao fato de que a CINCO recebeu este ano 20 mil dólares da USAID, apenas 1% do nosso montante", declarou o jornalista à Repórteres Sem Fronteiras.
A entidade afirmou que presidente Daniel Ortega deve pôr fim a esta "guerra midiática", que faz com que "a integridade física das personas assinaladas publicamente como inimigos de su propia nação corram perigo".
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