RSF pede adoção de medidas de auxílio a jornalistas mexicanos ameaçados
RSF pede adoção de medidas de auxílio a jornalistas mexicanos ameaçados
A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) divulgou na última quinta-feira (20) um comunicado pedindo, em caráter de urgência, que as autoridades responsáveis pela fronteira entre Estados Unidos e México adotem medidas humanitárias para proteger jornalistas da Ciudad Juárez, no México - que desde o começo do mês sofre ondas de terror - obrigados a se exilarem.
A entidade pede também a libertação imediata do repórter Emilio Gutiérrez Soto, detido em junho na cidade norte-americana de El Paso (Texas) depois que atravessou a fronteira sem autorização. Vítima de ameaças de morte atribuídas a militares, Gutiérrez, correspondente do jornal El Diario , teve que exilar-se com urgência com seus filho de 15 anos. Após se apresentarem a uma patrulha de imigração dos EUA, ambos foram imediatamente detidos. Seu filho já está livre, morando na casa de familiares, mas Gutiérrez continua preso.
A RSF também menciona no comunicado o jornalista Armando Rodríguez Carreón, assassinado em 13 de novembro diante de sua casa, na Ciudad Juárez. Em seu funeral, Jorge Luis Aguirre, diretor do jornal digital La Polaka , foi avisado de que "seria o próximo" - e decidiu ir para os Estados Unidos com sua família. Já Luis Horacio Nájera, correspondente do jornal Reforma , está há um mês refugiado no Canadá, e o diretor geral da publicação, Alejandro Junco de la Vega, anunciou sua decisão de se auto-exilar nos Estados Unidos por questões de segurança.
"A situação pede intervenção da comunidade internacional em favor da manutenção da paz e da luta contra a impunidade. Um compromisso que deve contar principalmente com a ajuda dos Estados Unidos e do Canadá, que devem acostumar-se com a idéia de ver jornalistas pedindo proteção", declarou a RSF.
Em maio de 2007, Claudio Tiznado, repórter do jornal Géneros , pediu asilo no Arizona, mas sua solicitação não foi aceita. O mesmo ocorreu com Misael Habana, que apresentador do programa "Noticiero Al Tanto", da emissora Televisa, junto com Amado Ramírez, assassinado em 6 de abril de 2007. Habana solicitou asilo ao Canadá, mas desistiu por enfrentar dificuldades.
Desde 2000, foram mortos 44 jornalistas no México, e há oito desaparecidos desde 2003. É o lugar mais perigoso para exercer a profissão no continente; o México figura em 140 º lugar, entre 173 países, na última classificação mundial de liberdade de imprensa, elaborada pela RSF.
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