RSF diz que Nobel da Paz favorece movimento pela liberdade de expressão na China

RSF diz que Nobel da Paz favorece movimento pela liberdade de expressão na China

Atualizado em 08/10/2010 às 12:10, por Redação Portal IMPRENSA.

A organização não-governamental Repórteres Sem Fronteiras (RSF) aclamou a escolha do intelectual chinês Liu Xiaobo para o Prêmio Nobel da Paz deste ano. Para a ONG, o título "constitui um gesto de alcance histórico a favor do movimento pela liberdade de expressão na China".

Divulgação
Liu Xiaobo

A RSF declarou que as "ameaças de represálias das autoridades chinesas" não teriam interferido na escolha do vencedor do Nobel da Paz deste ano, e que o prêmio "é uma lição para todos os governos democráticos que se vergam com demasiada frequência às pressões de Pequim".

Em 2004, Xiaobo recebeu um prêmio da RSF concedido aos defensores da liberdade de imprensa. O chinês está preso desde 2008 por "incitar a subversão contra o Estado", após ter elaborado o manifesto político "Carta 08". O documento reivindicava o voto universal e uma democracia multipartidária, de acordo com informações da agência Efe. A acusação só foi feita, oficialmente, mais de um ano depois de ter sido encarcerado.

Na época, o vencedor do Nobel da Paz afirmou: "Mesmo se o Partido (Comunista Chinês) impuser leis cada vez mais severas contra a Internet, aproveitando a constante melhoria das tecnologias de controle, ele nunca poderá controlar ou censurar completamente Internet".

Para Xiaobo, a imprensa chinesa deve atuar como um contra-poder frente ao Partido Comunista, e defende a libertação de jornalistas e dissidentes políticos, além de publicar manifestos na web e em jornais de Hong Kong. Em 2008, o chinês declarou que os "meios de comunicação eletrônicos" presentes no interior da China e estrangeiros "permitem derrubar a censura do Partido Comunista chinês." "Já não estamos longe do momento em que a fronteira da censura poderá ser ultrapassada e em que a liberdade de expressão se tornará uma exigência pública do povo", afirmou.

Em março deste ano, a RSF havia divulgado um relatório sobre os inimigos da Internet, em que reúne os principais países que violam a liberdade de expressão na web. Na lista estão China, Arábia Saudita, Birmânia, Coreia do Norte, Cuba, Egito, Irã, Uzbequistão, Síria, Tunísia, Turcomenistão e Vietnã.

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