RSF acredita que atentado contra radialista paraguaio tem relação com eleições no país
RSF acredita que atentado contra radialista paraguaio tem relação com eleições no país
A organização Repórteres Sem Fronteiras manifestou nesta quinta-feira (10) preocupação com o atentado a tiros sofrido, na última terça-feira (8), pelo radialista paraguaio Alfredo Avalos.
O jornalista e sua esposa, Silvana Rodrígues, foram baleados por volta de 19h45 em frente a residência deles, em Curuguaty, no Paraguai. Com 70 mil habitantes, a cidade fica a cerca de 100 quilômetros de Paranhos, no Mato Grosso do Sul. Silvana morreu e Alfredo está entre a vida e a morte.
A organização teme pela segurança dos meios de comunicação paraguaios, por causa da campanha para as eleições gerais do dia 20 de abril, que, entre outras coisas, vai designar o sucessor do atual presidente, Nicanor Duarte Frutos.
"Alfredo Avalos denunciou muitas vezes pela rádio o tráfico de drogas, que causa estragos na fronteira entre o Paraguai e o Brasil. Na investigação do atentado deve-se contemplar prioritariamente essa hipótese, que nos inspira uma grande preocupação, já que a campanha eleitoral está ocorrendo sob um clima muito tenso", declarou a RSF.
Em nota, a organização ainda afirmou que "a imprensa paraguaia, sobretudo a local, está muito exposta a represálias ou ameaças. É responsabilidade das autoridades judiciais, mas também dos candidatos, mobilizarem-se para garantir a liberdade de expressão e a segurança dos jornalistas".
Comerciante, conselheiro municipal de Curuguaty, pertencente ao partido Patria Querida (de esquerda) e militante do movimeento Tekojojá, Avalos tinha um programa na rádio 105.1 San Isidro FM (de propriedade de un político da maioria).
No programa, ele denunciava as atuações dos narcotraficantes fronteiriços. Suas manifestações já lhe valeram, em 2007, uma tentativa de seqüestro. Ele também enfrentou um problema judicial contra Aristeu Falkenbak, suspeito de dirigir um cartel de drogas.
Os investigadores levantaram três hipóteses para o atentado: represálias relacionadas com as atividades jornalísticas da vítima, acerto de contas por motivos comerciais e econômicos, e tentativa de assassinato político.
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