Roteirista e editor de imagem são detidos por filmar violência da PM contra estudantes
Na noite da última terça-feira (1º/12), a Polícia Militar usou bombas de efeito moral e spray de pimenta para dispersar uma manifestação de estudantes na Avenida 9 de Julho, região central de São Paulo.
Atualizado em 02/12/2015 às 15:12, por
Vanessa Gonçalves e Matheus Narcizo.
A Tropa de Choque avançou em direção ao protesto e pelo menos quatro pessoas, entre eles dois menores, foram detidas. Entre os presos estão a roteirista Tati Tavares e o editor de imagem Raul Nerici.
Crédito:Reprodução/Jornalistas Livres Imagem mostra policiais agredindo Raul Nerici
Segundo relato do repórter da ESPN Brasil Helvidio Marttos no Facebook, pai de Raul e sogro de Tatiana, o casal estava chegando em casa quando se deparou com a manifestação. Indignados com a ação do Choque que atacou os estudantes, passaram a filmar o ato. Em razão disso, "foram agredidos e levados presos pela PM do Alckmin", revela. “Ficaram 20 minutos dentro do camburão parado em frente à delegacia. Só foram liberados às 3 da manhã", conta.
À IMPRENSA, Nerici comentou o caso. “Estava indo com a minha namorada para casa, na Av. 9 de Julho, quando ouvimos barulhos de bombas. Pensamos ‘nossa, estão atirando bombas nas crianças?’. A minha namorada resolveu filmar o que estava acontecendo, porque achamos um absurdo. Um policial viu e disse que nós estávamos ‘incitando a violência’ por filmar e dizer que aquilo era absurdo. Depois, fomos levados para a delegacia”, disse.
O editor de imagem ainda ressaltou certo receio pelo fato de ter sido tratado com violência por apenas tentar registrar o momento. “Acho isso estranho. Se a atitude deles é legal, qual o problema em filmar?”.
Na rede social, a roteirista também comentou o incidente. “Tá aí o que fizeram conosco por filmar e demonstrar apoio a adolescentes que lutam por escola. É assim que a PM de São Paulo age com pessoas que estão FILMANDO e demonstrando APOIO a uma manifestação legítima. E aí querido governador quem paga pela minha foto estampada no jornal como uma bandida sendo que só estava exercendo meu direito de filmar atos públicos e emitir opinião? LAMENTÁVEL. A alegação para nos prenderem? Que estávamos incitando os adolescentes, que estavam SUPER distantes de nós, a atacarem a polícia que estava do nosso lado no momento, fazendo um cerco nos manifestantes. Eu estava filmando os policiais jogarem bombas em ADOLESCENTES ESTUDANTES. Fui agredida, humilhada, xingada, e colocada no camburão por FILMAR manifestação”.
Embora não tenha sido pressionado, o casal cogitou apagar os vídeos. Apesar disso, mantiveram as imagens, mas não revelaram se farão uso delas.
Há relatos que pelos menos três pessoas ficaram feridas após a ação policial que, violentamente, finalizou a manifestação pacífica dos estudantes que, lutam para evitar a reforma escolar, que pode fechar dezenas de escolas.
Reorganização escolar
O secretário estadual da Educação, Herman Voorwald, divulgou em setembro que o governo pretende fazer uma reforma para que as escolas estaduais tenham ciclo único.
A medida faz com que 754 unidades ofereçam só os anos iniciais do ensino fundamental (1.º ao 5.º ano), finais (6.º ao 9.º) ou ensino médio. No entanto, a mudança fará com que mais de 300 mil alunos sejam transferidos e 93 escolas, fechadas.
Por não dialogar com as comunidades escolares antes do anúncio do projeto, o governo Geraldo Alckmin tem enfrentando oposição. Para evitar a medida, estudantes ocuparam mais de 200 escolas do Estado.
Assista ao vídeo:
Crédito:Reprodução/Jornalistas Livres Imagem mostra policiais agredindo Raul Nerici
Segundo relato do repórter da ESPN Brasil Helvidio Marttos no Facebook, pai de Raul e sogro de Tatiana, o casal estava chegando em casa quando se deparou com a manifestação. Indignados com a ação do Choque que atacou os estudantes, passaram a filmar o ato. Em razão disso, "foram agredidos e levados presos pela PM do Alckmin", revela. “Ficaram 20 minutos dentro do camburão parado em frente à delegacia. Só foram liberados às 3 da manhã", conta.
À IMPRENSA, Nerici comentou o caso. “Estava indo com a minha namorada para casa, na Av. 9 de Julho, quando ouvimos barulhos de bombas. Pensamos ‘nossa, estão atirando bombas nas crianças?’. A minha namorada resolveu filmar o que estava acontecendo, porque achamos um absurdo. Um policial viu e disse que nós estávamos ‘incitando a violência’ por filmar e dizer que aquilo era absurdo. Depois, fomos levados para a delegacia”, disse.
O editor de imagem ainda ressaltou certo receio pelo fato de ter sido tratado com violência por apenas tentar registrar o momento. “Acho isso estranho. Se a atitude deles é legal, qual o problema em filmar?”.
Na rede social, a roteirista também comentou o incidente. “Tá aí o que fizeram conosco por filmar e demonstrar apoio a adolescentes que lutam por escola. É assim que a PM de São Paulo age com pessoas que estão FILMANDO e demonstrando APOIO a uma manifestação legítima. E aí querido governador quem paga pela minha foto estampada no jornal como uma bandida sendo que só estava exercendo meu direito de filmar atos públicos e emitir opinião? LAMENTÁVEL. A alegação para nos prenderem? Que estávamos incitando os adolescentes, que estavam SUPER distantes de nós, a atacarem a polícia que estava do nosso lado no momento, fazendo um cerco nos manifestantes. Eu estava filmando os policiais jogarem bombas em ADOLESCENTES ESTUDANTES. Fui agredida, humilhada, xingada, e colocada no camburão por FILMAR manifestação”.
Embora não tenha sido pressionado, o casal cogitou apagar os vídeos. Apesar disso, mantiveram as imagens, mas não revelaram se farão uso delas.
Há relatos que pelos menos três pessoas ficaram feridas após a ação policial que, violentamente, finalizou a manifestação pacífica dos estudantes que, lutam para evitar a reforma escolar, que pode fechar dezenas de escolas.
Reorganização escolar
O secretário estadual da Educação, Herman Voorwald, divulgou em setembro que o governo pretende fazer uma reforma para que as escolas estaduais tenham ciclo único.
A medida faz com que 754 unidades ofereçam só os anos iniciais do ensino fundamental (1.º ao 5.º ano), finais (6.º ao 9.º) ou ensino médio. No entanto, a mudança fará com que mais de 300 mil alunos sejam transferidos e 93 escolas, fechadas.
Por não dialogar com as comunidades escolares antes do anúncio do projeto, o governo Geraldo Alckmin tem enfrentando oposição. Para evitar a medida, estudantes ocuparam mais de 200 escolas do Estado.
Assista ao vídeo:





