"Rostinho bonito e boa voz não são sinônimos de técnica jornalística", diz presidente do Sindicato do Tocantins

"Rostinho bonito e boa voz não são sinônimos de técnica jornalística", diz presidente do Sindicato do Tocantins

Atualizado em 09/11/2007 às 17:11, por Marina Dias/Redação Portal IMPRENSA.

Atualmente, o Estado do Tocantins conta com cerca de 800 profissionais de imprensa atuando nos meios de comunicação local. Destes, 400 são filiados ao Sindicato dos Jornalistas, presidido por Élcio Mendes, 28 anos. "O ano de 2007 tem sido de bom crescimento para a nossa instituição, já que, quase todos os dias, recebemos novos filiados e manifestações de colegas que querem fazer parte do Sindjor", declara ao Portal IMPRENSA.

Apesar desse crescimento acentuado, Mendes afirma que o maior desafio da entidade está em mobilizar os filiados nas ações sindicais. "Informação não falta. O que falta é o interesse dos jornalistas pelas causas da categoria. Eles têm que entender que o Sindjor não é o governo e não pode resolver todos os problemas sozinho. Só teremos êxito se todos participarem", afirma.

Formado pela Universidade do Tocantins em 2001, o presidente acredita que o grande desafio da categoria é o reconhecimento da profissão, "assim como em todo o país". "Não é possível que alguém se auto-intitule jornalista. Para ser um colega, é preciso cursar uma faculdade de Jornalismo, ser aprovado e ter direito ao diploma", declara. Além disso, ele afirma que o Sindicato trabalha para que as empresas não contratem profissionais sem formação. "Rostinho bonito, boa voz, aparência e indicação não são sinônimos de preparo técnico para o exercício do jornalismo".

Dessa forma, Élcio Mendes defende uma nova Legislação para resguardar os profissionais da imprensa e acredita em uma forte atuação da FENAJ para concretizar esse projeto.

O acordo coletivo deste ano foi assinado com algumas boas negociações. Segundo o presidente, o piso salarial dos jornalistas de Tocantins é de R$ 1.100, mas "algumas empresas já praticam um piso maior do que o recomendado, o que é um ganho. Outra coisa foi conseguir que elas fornecessem o auxílio creche para mães e pais viúvos ou separados, e que têm a guarda dos filhos", declara.

O jornalista, que já trabalhou como repórter esportivo na TV Lajeado, TV Girassol e TV Jovem Palmas (Record, Band e SBT de Tocantins, respectivamente), acredita que não existem muitos PJ's no Estado, pois "os veículos são muito pequenos para se utilizarem dessa prática". Por outro lado, afirma que o jornalista empreendedor em um jornal ou internet tem seu lado positivo, já que, dessa forma, ele "abre o mercado e democratiza a informação", finaliza.