Rodrigo Viana: A plateia e o palhaço
Estou ficando velho e desatualizado. Apenas esses dias, deparei-me com o conceito de infotenimento. Não quero parecer deliberado simplista nesta coluna, mas, para efeito didático, digamos que o termo refere-se ao jornalismo que propicia informação e entretenimento ao leitor ao mesmo tempo.
Atualizado em 08/03/2013 às 15:03, por
Rodrigo Viana.
Apenas esses dias, deparei-me com o conceito de infotenimento. Não quero parecer deliberado simplista nesta coluna, mas, para efeito didático, digamos que o termo refere-se ao jornalismo que propicia informação e entretenimento ao leitor ao mesmo tempo. Surgiu no final do século passado – mais precisamente no final da década de 1980 – e vem sendo defendido, às vezes com bravura, pelos adeptos do jornalismo ligth.
Segundo os teóricos deste novo tipo de jornalismo, ele pode ser encontrado em matérias sobre estilo de vida, fofocas e também em notícias de interesse humano. Estes termos sintetizariam, de maneira clara e objetiva, a intenção editorial do papel de entreter no jornalismo, pois seguiriam os princípios básicos que atendem às necessidades de informação do receptor de hoje. Enfim, manifestariam aquele conteúdo que informa com diversão.
Uma coluna como esta, amigo leitor, não é um espaço acadêmico. Nem mesmo político. É, antes de tudo, um espaço de reflexão.
Convido você, então, a pensar junto comigo qual caminho o jornalismo esportivo está trilhando dentro deste neoconceito. Será que o conceito de esporte já não se confunde com o conceito de entretenimento por natureza? Precisaria ele – o esporte – do infotenimento para se sustentar?
Buscando clarear um pouco mais a questão, pergunto em que lugar, nessa nossa discussão, se situaria o bom e velho jornalismo investigativo nas manchetes esportivas. Com raras e honrosas exceções – faz-se necessário citar o sempre combativo Juca Kfouri e a nobre ESPN Brasil –, em ano de Copa das Confederações e pré-Copa do Mundo e Olimpíadas, enquanto no mundo inteiro pipocam denúncias de corrupção e superfaturamento nas grandes organizações esportivas, é muito comum ver na mídia tupiniquim um chapabranquismo disfarçado em brincadeiras, dancinhas, análise de cortes de cabelos e pedidos de música de jogadores de futebol.
Não se está dizendo aqui que o jornalismo de futebol tenha de ser chato e carrancudo. Aliás, desde antes de Nélson Rodrigues e Mário Filho, não tem sido assim. Mas confundir a notícia com o show é crime de lesa-pátria. Fico sempre pensando no público receptor. Enquanto pressupõe-se no leitor de notícia um público receptivo e analítico, no leitor de entretenimento pressupõe-se o insonso, o que quer rir, o descompromissado, em última análise, o que não quer pensar. E é isso o que preocupa. O exato momento em que não se sabe se a plateia ri do palhaço ou se o representa.
é repórter, professor de Pós-graduação em jornalismo esportivo e mestre em Semiótica e Literatura
Segundo os teóricos deste novo tipo de jornalismo, ele pode ser encontrado em matérias sobre estilo de vida, fofocas e também em notícias de interesse humano. Estes termos sintetizariam, de maneira clara e objetiva, a intenção editorial do papel de entreter no jornalismo, pois seguiriam os princípios básicos que atendem às necessidades de informação do receptor de hoje. Enfim, manifestariam aquele conteúdo que informa com diversão.
Uma coluna como esta, amigo leitor, não é um espaço acadêmico. Nem mesmo político. É, antes de tudo, um espaço de reflexão.
Convido você, então, a pensar junto comigo qual caminho o jornalismo esportivo está trilhando dentro deste neoconceito. Será que o conceito de esporte já não se confunde com o conceito de entretenimento por natureza? Precisaria ele – o esporte – do infotenimento para se sustentar?
Buscando clarear um pouco mais a questão, pergunto em que lugar, nessa nossa discussão, se situaria o bom e velho jornalismo investigativo nas manchetes esportivas. Com raras e honrosas exceções – faz-se necessário citar o sempre combativo Juca Kfouri e a nobre ESPN Brasil –, em ano de Copa das Confederações e pré-Copa do Mundo e Olimpíadas, enquanto no mundo inteiro pipocam denúncias de corrupção e superfaturamento nas grandes organizações esportivas, é muito comum ver na mídia tupiniquim um chapabranquismo disfarçado em brincadeiras, dancinhas, análise de cortes de cabelos e pedidos de música de jogadores de futebol.
Não se está dizendo aqui que o jornalismo de futebol tenha de ser chato e carrancudo. Aliás, desde antes de Nélson Rodrigues e Mário Filho, não tem sido assim. Mas confundir a notícia com o show é crime de lesa-pátria. Fico sempre pensando no público receptor. Enquanto pressupõe-se no leitor de notícia um público receptivo e analítico, no leitor de entretenimento pressupõe-se o insonso, o que quer rir, o descompromissado, em última análise, o que não quer pensar. E é isso o que preocupa. O exato momento em que não se sabe se a plateia ri do palhaço ou se o representa.
é repórter, professor de Pós-graduação em jornalismo esportivo e mestre em Semiótica e Literatura






