Rodrigo Cavalheiro, da Zero Hora, comenta vitória no "Prêmio Rei da Espanha"

Rodrigo Cavalheiro, da Zero Hora, comenta vitória no "Prêmio Rei da Espanha"

Atualizado em 31/01/2008 às 18:01, por Ana Luiza Moulatlet/Redação Portal IMPRENSA.

Rodrigo Cavalheiro, da Zero Hora , comenta vitória no "Prêmio Rei da Espanha"

Por "O melhor dessa matéria foi a repercussão diante dos leitores, que se sentiram representados ao ver o diálogo do policial nos exigindo suborno e nos escreveram às centenas". Para Rodrigo Cavalheiro, jornalista que recebeu o Prêmio Internacional de Jornalismo Rei da Espanha, esse reconhecimento pela reportagem "A rota da propina" não tem preço.

Além, é claro, de ver que um prêmio internacional importante como esse pode reconhecer uma reportagem que tem como principal foco o mundo real, e não simplesmente uma denúncia política ou uma entrevista exclusiva. "Isso recarrega as minhas energias para fazer jornalismo para gente real", diz Cavalheiro, que deu entrevista ao Portal IMPRENSA da Espanha, onde está para receber o prêmio.

"A rota da propina", feita em parceria com o jornalista argentino Javier Drovetto, fala sobre as extorsões praticadas por policiais de trânsito argentinos a caminhoneiros e motoristas brasileiros. A idéia da partiu da direção do jornal Zero Hora , de Porto Alegre, que escolheram Cavalheiro para fazer a pauta por dominar o espanhol e conhecer bem a Argentina. A própria direção entrou em contato com o jornal Clarín , da Argentina, que sugeriu o nome de Drovetto para acompanhar a viagem. "Ele serviu, obviamente, como testemunha, e deu ainda mais credibilidade à reportagem", diz Cavalheiro.

A parceria, que perdurou durante a viagem de Uruguaiana a Buenos Aires, deu certo: "Nos conhecemos na fronteira, combinamos como faríamos em cada bloqueio oficial para padronizar o comportamento; a idéia era comprovar os pedidos de propina na rodovia".

A reportagem foi publicada separadamente no Clarín e no Zero Hora . A apuração, apesar de ter sido conjunta, permitiu que o texto fosse escrito com total independência. "Fizemos a viagem juntos, apuramos juntos. O Drovetto ajudou bastante a acompanhar a repercussão depois que a denúncia foi feita, pois tinha mais proximidade com as fontes. Eu me encarreguei de manter a conversa com os policiais em português e extrair o máximo de informações".

A principal dificuldade para fazer a matéria foi, com certeza, o cansaço físico, apesar da grande tensão psicológica. "Dirigi por dois dias inteiros sob tensão, ligando gravador e câmera na expectativa de que na próxima parada houvesse o flagrante. A principal dificuldade mesmo foi se arriscar a gravar os policiais", afirmou Cavalheiro. "Mas valeu a pena".