Roda Viva: a arena da notícia

Roda Viva: a arena da notícia

Atualizado em 19/10/2004 às 21:10, por Fabíola Tarapanoff.


" O Roda Viva é uma espécie de circo ao contrário, onde as feras estão na platéia e o público está no centro da roda, com as feras devorando. "A frase genial, do jornalista e assessor de imprensa da presidência, Ricardo Kotscho, define bem o espírito do "Roda Viva", que atingiu sua maioridade como um dos programas de debates mais discutidos e celebrados do país.

No dia 29 de setembro de 1986 ia o ar o primeiro programa com o então ministro da Justiça, Paulo Brossard. Antes dessa edição, houve um piloto, com o cineasta Roberto Santos, em que já estava bem presente o formato recente: uma arena, em que o entrevistado fica exposto de todos os lados com uma câmera de 360 º que foca, com seu olhar afiado, cada um dos convidados. Os responsáveis por essa fórmula foram os jornalistas Marcos Weinstock, que se incumbiu da formatação, Roberto de Oliveira, coordenador da programação e Valdir Zwetsch, diretor de jornalismo.
Não há um apresentador no sentido clássico, um David Letterman ou um Jô Soares que representa a alma do programa. Há um mediador, que na verdade, faz a ponte entre o público e o entrevistado, perguntando o que ele quer saber. Entre os mediadores já estiveram jornalistas como Rodolfo Gamberini, Augusto Nunes, Matinas Suzuki, Heródoto Barbeiro, Jorge Escosteguy e atualmente Paulo Markun, cada um tendo permanecido ao menos seis meses no posto. "Roda Viva" chegou a ter 15 apresentadores, entre suplentes, como Mona Dorf e Mônica Teixeira.

"É um privilégio apresentar esse programa, um exercício de humildade. O painel de entrevistados justifica o novo slogan, O Brasil passa por aqui , pois aborda-se desde cultura até filosofia", explica Markun, que prepara três livros com as 200 melhores entrevistas do jornalístico. O "Brasil que passa pelo Roda Viva " inclui grandes personalidades como Quércia, que discutiu com um jornalista de "O Estado de S.Paulo", Rui Xavier e Brizola, que entrou em acalorado debate com o jornalista Tão Gomes Pinto, que já foi editor de IMPRENSA. Segundo Marcos Weinstock, que lançará um livro na festa de 18 anos, que será realizada hoje, na própria emissora, o "Roda Viva" teve momentos memoráveis como entrevistas com Ayrton Senna, Mário Covas e Fidel Castro. "O programa com Mário Covas foi muito bonito, pois ele estava com câncer e falou de um drama familiar de sua vida, da morte de sua filha, Sílvia. Aquele momento de confissão, de divã de psicanalista , só podia ser feito por uma grande personalidade para não ficar piegas", diz. Outros grandes momentos, segundo o então presidente da TV Cultura, Roberto Muylaert, foram os debates eleitorais, como as eleições de 1989, com rodadas de candidatos como Fernando Collor Mello e Ulisses Guimarães.

Com convidados tão ilustres, o "Roda Viva" virou uma "pauta obrigatória da imprensa", que o considera uma referência. O público que assiste em geral é formador de opinião, mas Weinstock explica que já se surpreendeu, descobrindo até frentistas admiradores do programa."Há uma maioria silenciosa, que é fiel. Sabemos muito pouco desse público", analisa.

Para comemorar o aniversário do "Roda Viva", foram preparadas algumas mudanças como a volta de um segundo andar, mais convidados e um medidor de tensão, view fact, com os membros da platéia, que permitirá saber de que forma o programa está sendo visto.

Segundo Weinstock, o "Roda Viva" só tem a comemorar nesses 18 anos. "É um dos poucos da televisão brasileira que tem essa idade e vigor. Ele vai passar por uma reformulação, mas espero que continue fazendo a repercussão dos grandes temas brasileiros."

18 anos do Programa Roda Viva
18 de outubro de 2004
20h30
TV Cultura - Estúdio D
Rua Cenno Sbrighi, 378- Água Branca