Riso, reflexão e registro definem trabalho do cartunista Bruno Drummond
Riso, reflexão e registro definem trabalho do cartunista Bruno Drummond
A arte de Bruno Drummond se destaca por sua capacidade de manter seu traço característico mesmo em veículos tão diversos. Com publicações regulares no jornal O Globo e em revistas como Você S.A . e Internet.br, ele sempre tenta deixar sua marca registrada nos cartuns.
"No Globo tenho total liberdade para falar sobre o assunto que quiser, o que é fantástico e assustador. Nas revistas, a tirinha deve funcionar como um comentário de um texto que me é enviado e associada a um tema pré-estabelecido. Alguns destes temas são sóbrios e até técnicos. Eu tento mudar o ângulo da leitura buscando uma nova ótica, a ótica do humor. Faço, portanto, uma abordagem bem humorada de um texto já existente, o que às vezes é mais fácil que criar a partir de um universo tão amplo quanto o do Globo ", explica.
| Bruno Drummond |
Segundo ele, tudo em seus cartuns é autoral, "do texto ao traço". "Passo muito tempo escrevendo, apagando, riscando e reescrendo os textos até que as palavras se encaixem e, muitas vezes, depois do cartum pronto, tenho o desejo insano de escrever novamente. Com o desenho não é muito diferente. Faço diversas pesquisas para criação dos tipos que frequentam os cartuns, desde fotos em revistas e sites a desenhos de observação das pessoas nas ruas. Tenho alguns cadernos já preenchidos que uso para consulta", diz.
A inspiração, comenta Drummond, vem da palavra, escrita ou falada. "Uma leitura, uma conversa, um filme, uma música, até mesmo um outro cartum pode ser o inicio da criação. Alguns assuntos do dia-a-dia são impossiveis de não comentar e outros surgem do nada, no meio da pausa pro café. Um bom passeio pela cidade também ajuda. O importante é estar sempre atento. É como dizia Picasso: 'não sei quando a inspiração vai chegar, mas quando chegar é bom que me pegue trabalhando'".
Formado em Comunicação Visual com mestrado em Antropologia da Arte na Escola de Belas Artes da UFRJ (Universodade Federal do Rio de Janeiro), Drummond começou na carreira de uma maneira "clássica": de porta em porta, com o portfolio embaixo do braço. Sua primeira tira mensal saiu pela revista Internet.br. Depois vieram Atrevida , Você SA , MeuDinheiro , Lance!, O Globo e Revista Oi .
Ele gostaria que seu trabalho fosse além do riso, principal objetivo do cartum. "Queria resgatar uma antiga tradição do desenho de humor, a do traço como registro de época, anotando hábitos e costumes do cotidiano. Característica comum nos cartuns do início do século XX e que se perdeu com o uso da fotografia. O que é uma pena, pois são registros complementares e diferentes. Acho que as três palavras que definem meu trabalho são riso, reflexão e registro".
Quanto ao público, Drummond diz não pensar muito nele. "Quero, obviamente, que ele goste do que leu e viu, mas não há como enxergar na diversidade de pessoas que leêm o jornal ou a revista um ser homogênio. Faço o que eu acho engraçado, consciente de que posso não ser engraçado pra todo mundo, mas até mesmo estes podem achar algo de interessante no desenho e não no texto", conclui.






