Riscos reduzem número de jornalistas na cobertura de conflito na Síria, diz ONG
Na última quarta-feira (16/10), a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) informou que há cada vez menos jornalistas que acompanham o conflito sírio em razão dos riscos de morte, acusação de espionagem ou detenções.
Segundo o Notícias ao Minuto, há também restrições a concessões de vistos pelo regime de Damasco e a propaganda exercida pelas duas partes em conflito, o que estabelece uma maior dificuldade na cobertura. "A maioria dos jornalistas afirma que é muito arriscado ir para a Síria neste momento, mesmo que muitos profissionais tenham vontade de o fazer", disse Soazig Dollet, da RSF.
De acordo com a organização, pelo menos 25 profissionais estrangeiros e sírios e 70 civis que eram responsáveis por recolher informações para jornalistas foram mortos desde o início da guerra civil. Há ainda um grande risco de rapto e pelo menos 16 jornalistas estrangeiros estão desaparecidos. Entre eles, James Foley, freelancer norte-americano que fez reportagens para a AFP e que foi capturado no noroeste da Síria, em 22 de novembro de 2012.
O Comitê para a Proteção de Jornalistas (CPJ) informou que a maioria das mortes e dos raptos de repórteres aconteceram nas zonas cercadas pelos rebeldes. "As razões por detrás destes raptos não são apenas políticas, mas também financeiras, e há grupos que têm como alvo especificamente os jornalistas, acusando-os de serem espiões", revelou Shérif Mansur, do CPJ.
Um jornalista freelancer, que acompanha o conflito desde dezembro de 2011, explicou que para entrar em território rebelde "é preciso ter a proteção de um batalhão que tenha boas relações com os islamitas radicais". Para o responsável do CPJ, a decisão de cada vez menos jornalistas arriscarem entrar na Síria "é um presente para aqueles que violam os direitos humanos".
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