Ricardo Freire, do blog Viaje na Viagem, fala sobre pioneirismo no segmento de turismo
Dos mais de quarenta países que visitou, o publicitário Ricardo Freire não precisa pensar duas vezes para dizer qual é seu destino favorito:
Atualizado em 19/12/2014 às 14:12, por
Danúbia Paraizo.
"Se me perguntarem por que viajo tanto, vou responder: é para ver se encontro algum lugar mais encantador que o Rio de Janeiro. Ainda não encontrei".
Crédito:Arquivo Pessoal Ricardo Freire é criador do blog Viaje na Viagem Figura conhecida na publicidade, por ter criado bordões como “não é assim nenhuma Brastemp”, Freire também é criador do primeiro blog de turismo profissional do Brasil. Há exatos dez anos surgia o , considerado hoje referência para quem está planejando seu próximo destino.
“O Viaje na Viagem surgiu no finzinho de 2004, quando eu percebi que a ferramenta blog estava bastante amigável - e o que era melhor: era gratuita, ao contrário da hospedagem de sites, que ainda era caríssima”, conta Freire.
Com uma média de 800 mil visitantes únicos por mês, o espaço mantém sete colaboradores e recebe todos os dias de 60 a 200 perguntas de internautas.
Apesar de trabalhar na editoria desde 1998 - Freire é autor de dois livros sobre turismo e fez inúmeras colaborações em revistas – o publicitário explica que demorou pelo menos cinco anos para que o site se tornasse seu ganha-pão. Isso porque o objetivo não era financeiro.
“A intenção inicial era somente ser dono de um espaço onde eu pudesse mostrar na íntegra minhas viagens para o público que me conhecia dos livros e das revistas, sem estar subordinado à pauta do mês de nenhum veículo, sem limitação de espaço, sem deadline, sem interferência de editor ou de diretor de arte”.
À IMPRENSA, o editor do Viaje na Viagem e colunista da rádio Band News FM falou sobre o mercado de blogs de turismo, a ilusão de quem quer ser blogueiro pelo glamour da profissão e a rotina de trabalho no Viaje na Viagem.
IMPRENSA – Antes do Viaje na Viagem você trabalhava com publicidade. Quando decidiu mudar de área? Ricardo Freire - A profissionalização do blogueiro surgiu por necessidade. O Viaje na Viagem já nasceu no canal "Blogs legais" do Uol, e de vez em quando ganhava chamadas na home do portal. Isso nos fez ganhar audiência rapidamente e tomar tamanha importância na minha pauta pessoal, que chegou o momento em que era desonesto eu continuar no meu emprego formal, se a minha cabeça estava no hobby. Em agosto de 2005, pedi demissão da agência - na ilusão de que em pouquíssimo tempo choveriam patrocinadores para minhas aventuras. Sabe de nada, inocente!
Aliás, a ideia de ser blogueiro de turismo e ganhar rios de dinheiro passa pela cabeça de muita gente, né? A partir de que momento conseguiu faturar com o negócio? Passei os quatro anos seguintes sem conseguir comercializar o blog (a única receita que entrou foi durante os 15 meses em que o Viaje na Viagem foi âncora da área de blogs do portal ViajeAqui, da Abril, e eu recebia um cachê fixo, sem participação comercial). Tive que queimar patrimônio - e diminuir meu padrão de vida (e de viagens). Por incrível que pareça isso foi excelente para o meu trabalho. Deixei de ser o publicitário mauricinho que ia atrás apenas da última novidade e do luxo.
Houve muitas mudanças no site desde sua criação? Nesses 10 anos o blog mudou muito - a internet mudou muito. No início era um blog de nicho, frequentado por gente que só pensa em viagem e se encontrava na caixa de comentário do post mais recente, não importa o assunto, pra bater papo. Com o crescimento do conteúdo, porém, o blog passou a ser encontrado, via Google, por pessoas que pensam em viagem somente duas vezes por ano, ao planejar suas férias -- e que são a maioria dos viajantes na vida real. As caixas de comentários deixaram de ser salas de chat exclusivas dos habituês e se tornaram um SAC trepidante de perguntas e respostas sobre dúvidas práticas de viagem.
E quanto ao conteúdo? Os posts precisaram ficar menos divertidos e mais objetivos, para que as informações sejam encontradas com facilidade (e resultem em menos perguntas). Muita gente tem uma saudade meio idealizada de quando o blog era pequeno - mas é uma saudade do esconderijo, do mocó, da sala de chat privativa. Hoje o site é incomparavelmente melhor. Quando revejo posts anteriores a 2010, pouquíssima coisa se salva.
Como funciona a política editorial para anúncios e publiposts? Campanhas publicitárias (na forma de banners) são veiculadas normalmente, sem nenhuma vinculação editorial. Já os publieditoriais têm texto elaborado por nós e são claramente informados como tais; a partir deste ano, já têm a hashtag #ad incorporada ao título. Só aceitamos posts patrocinados de produtos que aprovamos e que achamos úteis e vantajosos para o leitor.
Aceitam viagens patrocinadas Aceitamos convites de viagem quando o destino é de interesse do leitor. Dificilmente essas viagens resultam em guias definitivos - é difícil pôr o destino em perspectiva quando a programação é rígida e corrida - mas funcionam como o caldo de cultura que nos permite começar a processar melhor a informação que nos chega via caixa de comentários e que encontramos na net sobre o destino. Algumas dessas viagens são repassadas a leitores "históricos", como um agradecimento pela participação ativa no site. Esses leitores viram "enviados especiais" e voltam com incrivelmente profissionais.
Conte um pouco da experiência como colunista de turismo na rádio Band News FM. Os boletins são muito gostosos de fazer; eu escrevo os textos pensando na coloquialidade e depois gravo tentando passar a impressão de que estou improvisando. A gravação é feita no meu computador, onde quer que eu esteja, e é então enviada por FTP. A cada série eu indico à técnica uma canção para servir de base, sempre tentando coordenar a letra ou o estilo da música com o tema da semana. Dessa maneira os programas ficam "coloridos"; a canção funciona um pouco como imagem.
O mercado está repleto de sites e blogs sobre turismo. Dá para sobreviver trabalhando apenas como “turista profissional”? Eu dividiria os blogs de viagem brasileiros em três tipos, segundo suas pautas. Um é o blog de autor, em que o blogueiro cumpre exclusivamente a sua pauta pessoal de viagem. Em 99% dos casos ele tem uma ocupação principal e viaja apenas nas brechas do trabalho. Quando feitos com talento, são blogs extraordinários.
O segundo tipo é o blog cuja pauta é viajar de graça para onde convidarem. Não é um blog naturalmente rentável, porque a viagem pode ser de graça, mas não há remuneração para o blogueiro. Tampouco é um blog que proporcione realização pessoal; viajar de graça uma, duas, três vezes pode ser divertido, mas quando todas as suas viagens são a convite, viajar deixa de ser um prazer para virar um compromisso.
O terceiro tipo é o blog cuja pauta é a prestação de serviço. O blogueiro identifica o seu público e produz o conteúdo que responde as suas dúvidas, organiza as suas preocupações e resolve as suas viagens. Os blogs com esse foco são os que podem se profissionalizar: a audiência cresce naturalmente, e com isso aparecem as oportunidades para publicidade, e-commerce e produtos editoriais.
Já está no ar o especial "O turismo em pauta no Brasil". Para acessar e ler o conteúdo completo,






