Revolução digital fez jornalistas dividirem espaço e influência, diz Bia Granja
Cofundadora e CCO do Youpix conversou com o Portal IMPRENSA sobre influenciadores nas redes sociais
Atualizado em 04/05/2022 às 10:05, por
Redação Portal IMPRENSA.
Por muito tempo, os jornalistas foram absolutos quando o assunto era a atenção do público. Os formadores de opinião, no entanto, tiveram que lidar com mudanças profundas nessa dinâmica desde que entramos na era do digital.
Ao Portal IMPRENSA, a cofundadora e CCO do YOUPIX Bia Granja analisou esse fenômeno. "Antes do digital, a capacidade de informar e de formar opinião estava concentrada no mesmo lugar. Ou seja, os grandes grupos de mídia que tinham aparato financeiro para criar e distribuir esse conteúdo em escala para o Brasil todo, também detinham o poder de influenciar a opinião pública", explica. Crédito:Divulgação
Bia Granja é cofundadora e CCO do YOUPIX "A lógica descentralizada das redes, onde podemos consumir informação de milhões de fontes diferentes, fez com que as pessoas também passassem a construir sua opinião de forma mais granular. Em 2007, o jornal Estadão fez uma campanha tentando minar a credibilidade dos blogs, que na época já ameaçavam essa hegemonia dos grandes veículos na construção da opinião pública", lembra ela.
Com o nascimento da carreira de influencer profissional, essa realidade mudou. Segundo números recentes da Rede Snack, uma multiplataforma de canais validada pelo Youtube, 313 mil pessoas atuam nessa área no Brasil. No mundo, já são 6 milhões de influenciadores, e ninguém pode menosprezar o poder de quem engaja tanto.
"Nessa revolução comunicacional, os jornalistas perderam grande parte do seu poder de influência, já que passaram a dividi-lo com aquele post do blog, ou aquela thread do Twitter, ou um vídeo do Youtube ou até mesmo um Reels do Instagram. Hoje, vemos que uma coisa não substitui a outra, que todos os hubs de informação e formação de opinião são importantes, o que muda é que não são mais únicos e centralizados", afirma.
O impacto foi semelhante ao sofrido por atrizes e atores de TV, antes os mais requisitados para ações publicitárias.
"A chegada do digital mudou completamente o cenário de comunicação, já que permitiu que pessoas "comuns" se transformassem em mídia, em veículos de comunicação e influenciadores. Dessa forma, os consumidores passaram a querer se relacionar com conteúdo e com a comunicação das marcas a partir de um ponto de vista mais genuíno e autêntico, o que levou o modelo de Garoto(a)-Propaganda a deixar de fazer sentido" pontua Bia Granja.
"Atores, atrizes e apresentadores de TV sempre foram pessoas distantes do consumidor e atuavam apenas como um rostinho bonito nas campanhas (e muitas vezes nem usavam os produtos que promoviam). No digital, os creators e influenciadores conquistaram a confiança de suas audiências pois se parecem com eles, geram identificação por serem próximos. Praticamente nenhuma celebridade do mundo offline conseguiu fazer essa migração para o mundo digital, pois não são criadores de conteúdo e ainda se colocam de uma forma muito distante de suas audiências", completa.
O que credencia alguém a ser um influenciador?
Para se tornar influente, no entanto, não basta ter uma legião de seguidores. A receita, apesar de simples, não é fácil: demanda uma "construção coletiva", como explica a especialista.
"A influência de alguém tem a ver com território daquela pessoa e o quanto ela conseguiu construir uma autoridade nesse território. Um estudo feito pela Airfluencers no território de Maternidade mostrou que 90% das creators tem até 30 mil seguidores, ou seja, alguém com mais de 100 mil seguidores é uma grande influencer (macro), com uma super penetração nesse território tão granular".
"Acho que vale lembrar que influência é uma construção coletiva, ou seja, alguém tem que se sentir 'influenciado' para que a pessoa seja de fato uma influenciadora. E, para isso, é necessário que a pessoa seja responsável na criação e transmissão dos conteúdos que está gerando, pois eles são a base para que uma relação de confiança, liderança e autoridade genuína se construam."
Ao Portal IMPRENSA, a cofundadora e CCO do YOUPIX Bia Granja analisou esse fenômeno. "Antes do digital, a capacidade de informar e de formar opinião estava concentrada no mesmo lugar. Ou seja, os grandes grupos de mídia que tinham aparato financeiro para criar e distribuir esse conteúdo em escala para o Brasil todo, também detinham o poder de influenciar a opinião pública", explica. Crédito:Divulgação
Bia Granja é cofundadora e CCO do YOUPIX "A lógica descentralizada das redes, onde podemos consumir informação de milhões de fontes diferentes, fez com que as pessoas também passassem a construir sua opinião de forma mais granular. Em 2007, o jornal Estadão fez uma campanha tentando minar a credibilidade dos blogs, que na época já ameaçavam essa hegemonia dos grandes veículos na construção da opinião pública", lembra ela. Com o nascimento da carreira de influencer profissional, essa realidade mudou. Segundo números recentes da Rede Snack, uma multiplataforma de canais validada pelo Youtube, 313 mil pessoas atuam nessa área no Brasil. No mundo, já são 6 milhões de influenciadores, e ninguém pode menosprezar o poder de quem engaja tanto.
"Nessa revolução comunicacional, os jornalistas perderam grande parte do seu poder de influência, já que passaram a dividi-lo com aquele post do blog, ou aquela thread do Twitter, ou um vídeo do Youtube ou até mesmo um Reels do Instagram. Hoje, vemos que uma coisa não substitui a outra, que todos os hubs de informação e formação de opinião são importantes, o que muda é que não são mais únicos e centralizados", afirma.
O impacto foi semelhante ao sofrido por atrizes e atores de TV, antes os mais requisitados para ações publicitárias.
"A chegada do digital mudou completamente o cenário de comunicação, já que permitiu que pessoas "comuns" se transformassem em mídia, em veículos de comunicação e influenciadores. Dessa forma, os consumidores passaram a querer se relacionar com conteúdo e com a comunicação das marcas a partir de um ponto de vista mais genuíno e autêntico, o que levou o modelo de Garoto(a)-Propaganda a deixar de fazer sentido" pontua Bia Granja.
"Atores, atrizes e apresentadores de TV sempre foram pessoas distantes do consumidor e atuavam apenas como um rostinho bonito nas campanhas (e muitas vezes nem usavam os produtos que promoviam). No digital, os creators e influenciadores conquistaram a confiança de suas audiências pois se parecem com eles, geram identificação por serem próximos. Praticamente nenhuma celebridade do mundo offline conseguiu fazer essa migração para o mundo digital, pois não são criadores de conteúdo e ainda se colocam de uma forma muito distante de suas audiências", completa.
O que credencia alguém a ser um influenciador?
Para se tornar influente, no entanto, não basta ter uma legião de seguidores. A receita, apesar de simples, não é fácil: demanda uma "construção coletiva", como explica a especialista.
"A influência de alguém tem a ver com território daquela pessoa e o quanto ela conseguiu construir uma autoridade nesse território. Um estudo feito pela Airfluencers no território de Maternidade mostrou que 90% das creators tem até 30 mil seguidores, ou seja, alguém com mais de 100 mil seguidores é uma grande influencer (macro), com uma super penetração nesse território tão granular".
"Acho que vale lembrar que influência é uma construção coletiva, ou seja, alguém tem que se sentir 'influenciado' para que a pessoa seja de fato uma influenciadora. E, para isso, é necessário que a pessoa seja responsável na criação e transmissão dos conteúdos que está gerando, pois eles são a base para que uma relação de confiança, liderança e autoridade genuína se construam."





