Revistas femininas apostam em reportagens de fôlego para debater questões socioculturais

Conhecidas por pautarem assuntos sobre sexo, moda, beleza, horóscopo, filhos e mercado de trabalho, as revistas femininas também abrem espaç

Atualizado em 30/03/2015 às 09:03, por Alana Rodrigues*.

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o na linha editorial para a produção de reportagens de fôlego, que fogem do estereótipo “fútil” atribuído à publicação e alertam para o debate de temas socioculturais.
No ano passado, a Marie Claire realizou uma entrevista exclusiva com a ex-estudante Suzane von Richthofen, condenada a 38 anos de prisão pelo assassinato dos pais. Após oito anos sem contato com a mídia, a jovem falou sobre como é a vida na prisão, os sonhos e a vontade de recomeçar.
A diretora de redação, Marina Caruso, conta que a publicação sempre traz uma ou duas matérias de fôlego por editoria - comportamento, sociedade e internacional -, em geral investigativas. Ela também destaca a seção "Eu, leitora" que, na maior parte das vezes, é resultado de um trabalho intenso de investigação.

A jornalista explica que a principal vocação da Marie Claire não é dar furos, mas contribuir para o debate sobre temas femininos. "Se tivermos a oportunidade de dar um furo, melhor, mas não nos guiamos necessariamente por isso", afirma.
Segundo ela, a revista também costuma levantar bandeiras e promover campanhas. A mais recente foi na edição de março com o “Especial Mulher”, no qual debateu a licença paternidade, a legalização do aborto e os mistérios em torno da criação do Viagra feminino em reportagens de fôlego.
O hardnews na moda Daniela Falcão, diretora de redação da Vogue Brasil , acredita que a retratação de assuntos controversos nas revistas femininas é voltada mais ao comportamento do que ao jornalismo investigativo. Ela cita temas frequentes, como a defesa pela sustentabilidade e a abordagem do trabalho escravo. “A moda sempre foi muito mais de levantar bandeiras do que fazer denúncias", opina.
A jornalista menciona o projeto EcoEra, idealizado pela colunista Chiara Gadaleta Klajmic, que visa unir arte e moda em torno de questões sociais e ambientais. Ela defende, por exemplo, a importância de usar um jeans limpo, no qual o processo de lavagem não faz uso de tanta química e água.

"Tem muito mais essa questão da moda tomar posições, do que propriamente fazer uma matéria denúncia. Isso não quer dizer que você precisa ser alienada. Há outras maneiras de incentivar ou chamar atenção para um comportamento", pondera.
Já Joyce Pascowith acredita que boas reportagens sempre vão ter espaço. Supervisora da revista Moda, integrada na JP , ela diz que é necessário manter um equilíbrio na publicação de matérias investigativas para manter o tempero da revista.
"É um pouco de hardnews, de sangue, crime, moda, cultura, estilo de vida. É um pouco de tudo", afirma. "A gente faz jornalismo. Iluminamos e chamamos atenção para determinado assunto", acrescenta.
De olho na reportagem
Em 2010, a Marie Claire foi a vencedora da categoria revista do prêmio Vladimir Herzog, com "Escravas da Moda". A reportagem, produzida pela editora, retrata a vida das mulheres - muitas delas vindas ilegalmente de países vizinhos - que trabalham até 20 horas por dia para alimentar grandes redes de varejo de roupas.

Outra reportagem de fôlego que chamou a atenção das leitoras reuniu história de homens acusados pelas ex-mulheres de abusar sexualmente das próprias filhas. A revista investigou a onda de falsas acusações nos tribunais e o impacto nas crianças.
Em 2012, 19 títulos Vogue ao redor do mundo se uniram para a campanha “The Health Initiative – Respeite seu Corpo”, que discute a saúde e boa forma. A iniciativa consistiu na assinatura de um termo para não publicar matérias com modelos menores de 16 anos, contra a anorexia.
"Quando você publica uma foto de uma menina com menos de 16, ela tem um corpo de criança, irreal e impossível para uma mulher de verdade. Então, mais até do que fazer uma matéria, assinamos esse compromisso. As revistas de moda têm que mostrar um lado de sonho e de beleza", explica.
Para Daniela, posturas como esta substituem a denúncia. "É mais um caráter educativo, de tomada de consciência, engajamento do que espaço para denuncia. A gente dá furo, mas não somos hardnews. Tem um pé no real, mas tem que fazer sonhar também”.
#Mulheresqueinspiram

Durante todo o mês de março, IMPRENSA alimentará o site especial "Mulheres que Inspiram", com matérias especiais sobre as mulheres nas redações. Para ler este conteúdo, nos contar e homenagear a mulher que inspira você, basta acessar o site, .

*Com supervisão de Thaís Naldoni