Revista "Nossa História" de maio derruba mitos e estereótipos da História do Brasil
Revista "Nossa História" de maio derruba mitos e estereótipos da História do Brasil
Você achava que os negros brasileiros esperaram passivamente pela sua libertação até a assinatura da Lei Áurea? Aprendeu que a “política do café-com-leite” era forma exclusiva do regime republicano? Pensava que a causa da fusão da Guanabara com o Estado do Rio era o interesse da ditadura em enfraquecer o Movimento Democrático Brasileiro (MDB)? Sabia que José de Alencar também era um grande dramaturgo? Imaginava que o primeiro livro didático sobre a História do Brasil tinha sido adaptado de um original francês? A edição de maio de Nossa História promete surpreender muita gente ao mostrar o outro lado de todos esses fatos e episódios.
A começar pelo assunto de capa. O artigo “A face negra da Abolição” mostra que, ao contrário do que se pensa, na época em que a Lei Áurea foi assinada, 95% dos descendentes de africanos já eram livres e alguns já faziam parte da elite intelectual, como Antonio Rebouças, José do Patrocínio e Francisco de Paula Britto. Já “O rei dos excluídos” conta a trajetória de D. Obá II d’África, brasileiro, príncipe africano por direito de sangue e pioneiro dos modernos movimentos de afirmação da negritude, enquanto “A construção de um mártir” reconstrói a misteriosa biografia da escrava Anastásia e o culto a ela. Quem seria, afinal, aquela escrava de olhos azuis que aparece estampada em santinhos com um instrumento de tortura? Que poderes atribuem a ela?
Também inusitado é o artigo “Aliança café com política”, que questiona as abordagens sobre a famosa aliança Minas-São Paulo, quando também havia outros quatro estados (Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco) com acentuada importância no cenário político na época. Além disso, a autora Cláudia Viscardi ressalta que o nome mais apropriado seria “política do café-com-café”, já que nesse período a influência de Minas também era derivada da cafeicultura e não da força econômica do gado de leite.
Marieta de Moraes Ferreira, com base em documentos do Serviço Nacional de Informação (SNI), reacende a polêmica em “Estado da discórdia” e mostra que a Guanabara fundiu-se ao estado do Rio por desejo da elite empresarial carioca e não para domesticar a oposição à governista Aliança Renovadora Nacional (Arena). A seção “Letras e escritas” deste mês revela para muitos o dramaturgo José de Alencar, famoso por romances como “O Guarani” e “Lucíola”, mas também autor de peças consagradas em sua época, como “O demônio familiar”. O artigo “História recém-nascida”, da seção Ensino fala do “Resumo da História do Brasil até 1828”, primeiro livro didático adotado nas escolas após a Independência, baseado num texto francês, publicado em Paris seis anos antes.
E em comemoração ao dia do trabalho, celebrado em 1º. de maio, Nossa História traz os artigos “Ondas grevistas no mar da República” e “Portas fechadas”. O primeiro, sobre a legislação trabalhista de Getúlio Vargas, que tentou tutelar o movimento sindical, e o segundo sobre a revolta de comerciários nos primeiros anos do século XX com a exploração dos patrões e o trabalho aos domingos.
Outros destaques da edição de maio são: “Terras para todos”, que relata como, nos anos 70, brasileiros migraram para a Amazônia, incentivados pela propaganda oficial, atrás do mito moderno do Eldorado Amazônico; “Assim na terra como no céu”, sobre como os jesuítas, além de catequizar, também sabiam administrar as propriedades da Companhia de Jesus; “Paixão e morte na virada do século”, que analisa os crimes passionais da virada do século XIX pro XX, segundo a ótica de cronistas da época, como João do Rio e Lima Barreto, e de quebra ainda conta a verdadeira tragédia rodrigueana: o assassinato de Roberto Rodrigues, irmão de Nelson Rodrigues, morto no lugar do pai pela jornalista (e adúltera) Sílvia Tibau, que sentiu-se difamada por uma matéria do jornal “Crítica”, de propriedade da família Rodrigues.
A seção “Quem” desta edição traça o perfil de Carlos Lacerda, considerado “destruidor de presidentes’ e, ao mesmo tempo, construtor de um novo estado da Guanabara, e “Viagens à memória brasileira” visita o Museu Emílio Goeldi, que encantou Euclides da Cunha há cem anos, durante uma viagem a Belém do Pará. A “Entrevista” do mês é com o economista Eduardo Gianetti, que fala à Nossa História sobre o sucateamento das universidades públicas, a distorção do sistema financeiro brasileiro e as altas taxas de juro. E ainda afirma: “O Brasil é um país do futuro em que as pessoas estão voltadas para o agora”.
E, no mês de junho, a equipe de Nossa História, trará na capa um assunto bastante polêmico e misterioso, que promete atiçar a curiosidade de muita gente.
Serviço:
Revista Nossa História
Editora Vera Cruz
Preço: R$ 7,80
Tiragem: 80 mil exemplares
Periodicidade: mensal
Circulação nacional
Site: www.nossahistoria.net






