Revista Veja não terá que indenizar amigo de José Dirceu

Revista Veja não terá que indenizar amigo de José Dirceu

Atualizado em 25/10/2007 às 09:10, por Redação Portal IMPRENSA.

Revista Veja não terá que indenizar amigo de José Dirceu

Em decisão da 3ª Vara Cível do Foro Regional de Pinheiros, a Justiça inocentou a revista Veja no processo movido por Roberto Marques, amigo e ajudante do ex-ministro José Dirceu - que se sentiu ofendido por reportagens publicadas no período do escândalo do mensalão, nas edições de 3, 10 e 24 de agosto de 2005 da revista, e por isso pedia uma indenização no valor de R$ 100 mil.

Uma das reportagens de que Marques reclamou relatava um saque de R$ 50 mil no Banco Rural, por ordem da empresa do publicitário Marcos Valério. Em outro texto, a revista afirmou que ele carregou "fotos de Fidel Castro" e "cuecas do José Dirceu" e também o chamou de "cão de guarda" do ex-ministro.

O juiz Manoel Luiz Ribeiro julgou improcedente a ação movida por Marques por considerar os documentos que se encontram nos autos uma evidência de que não houve interesse de injúrias, difamação ou calúnia. Segundo o juiz, a primeira reportagem apenas menciona, através de fax descoberto pela Polícia Federal, que Marques seria uma das pessoas autorizadas a sacar dinheiro das contas de Marcos Valério. O juiz ressaltou ainda que a reportagem estava "baseada em informações prestadas por deputados e prováveis fontes não reveladas, mas que o desenrolar dos fatos acabou por demonstrar a seriedade da notícia, constante de relatórios da CPMI e de outras notícias veiculadas na imprensa escrita e falada".

Os advogados Alexandre Fidalgo e Cynthia Romano, do escritório Lourival J. Santos Advogados, que representa a Editora Abril, afirmaram que a matéria publicada não diz que Marques efetuou o saque, mas relata que a autorização estava no nome dele, conforme documento descoberto pela PF. O texto deixaria claro também que os saques foram feitos por Luiz Carlos Mazano.

Entre os argumentos apresentados, os advogados explicam que a alusão ao desenho animado "Bob Esponja", metaforicamente utilizada, decorre da comparação do autor com a figura do desenho animado, retratando a inocência ao acreditar no fato do ex-ministro não possuir qualquer envolvimento com o escândalo do mensalão.