Revista Trip é produzida à distância e editor diz que o melhor lugar para o repórter ainda é a rua
Revista Trip é produzida à distância e editor diz que o melhor lugar para o repórter ainda é a rua
Revista Trip é produzida à distância e editor diz que o melhor lugar para o repórter ainda é a rua
PorA experiência de exercer o chamado jornalismo colaborativo tomou conta da revista Trip . Isso porque, com o objetivo de vivenciar as transformações do mercado de trabalho, um dos temas de sua próxima edição de maio, a redação inteira foi trabalhar em casa, para sentir na pele o que significa essa nova relação de trabalho do ponto de vista individual. "Qualquer trabalho colaborativo pode ser feito à distância", explica Guilherme Werneck, diretor de redação da Trip .
Em entrevista ao Portal IMPRENSA, Werneck destacou as dificuldades e curiosidades de se fazer uma revista com todos os seus profissionais separados, e afirma que e-mail, telefone e MSN foram as principais formas de comunicação da equipe, que ficou três semanas fora da redação.
Portal IMPRENSA: Qual foi o objetivo de levar a redação para trabalhar em casa?
Guilherme Werneck: A próxima edição da Trip tem como tema central o trabalho, e a proposta da edição é olhar para as transformações do mercado, dos modos de produção e das relações com a labuta do ponto de vista individual, e aí entram desde o estresse até a questão da vocação. Já na reunião de pauta, levantamos uma série de novidades em relação ao trabalho do século 21, que, obviamente se transformaram em reportagens. Todos nós achamos bastante interessante, neste novo modelo, o fato de praticamente qualquer trabalho colaborativo poder ser feito à distância. Dessa discussão nasceu a idéia: "se é assim, por que não tentar fazer a Trip longe da redação?" Daí a debandada...
IMPRENSA: De quem foi a idéia? Na sua opinião, ela deu certo?
Werneck : A idéia foi do diretor editorial, Fernando Luna. E, como toda idéia inovadora, teve seus prós e contras. Jornalismo é um trabalho em equipe e, mesmo com toda a tecnologia, há uma interação informal que se perdeu no processo. Acredito que, no geral, trabalhou-se mais do que na redação. Era comum ver os e-mail antes mesmo lavar o rosto de manhã. Mas a experiência provou ser possível fazer a revista sem estar presente o tempo todo. Alguns setores da revista, como a produção, sofreram mais. Para os repórteres foi bem mais tranqüilo. Afinal, mesmo em tempos de internet, o melhor lugar para um repórter estar ainda é a rua. A arte e a equipe de edição acho que tiveram uma experiência mais equilibrada. Sem dúvida, é muito bom ter paz de espírito na hora de editar um texto ou de montar o layout de uma página. Mas é justamente aí, nesses dois momentos, que falta um pouco a interação. Um palpite para melhorar um título, uma olhada por cima do ombro do diagramador para ver se não tem uma foto melhor do que a escolhida para a abir a reportagem. Coisas banais, mas que não funcionam à distância. Para corrigir essas deformações do isolamento, em alguns momentos trabalhamos em duplas ou trios e, no meio do caminho, fizemos reuniões, falamos muito no telefone, usamos muito MSN e muito e-mail. Aliás, um dos pontos positivos foi a redução de papel durante todo o processo de produção. Já que todas as aprovações foram feitas por e-mail. Foi bem divertido fazer a revista assim, mas, no final da experiência, já estávamos com vontade de voltar para a Trip .
IMPRENSA: A experiência durou quanto tempo?
Werneck: Três semanas.
IMPRENSA: Como funcionava a comunicação entre a equipe?
Werneck: Como disse antes, muito celular, e-mail, MSN e algumas reuniões fora da revista.
IMPRENSA: Como será a edição da Trip sobre o "trabalho"?
Werneck: Ela segue o tópico de trabalho, que diz: "buscar no trabalho algo que construa, gere prazer e crescimento, que seja um agente de aperfeiçoamento e realização, para nós e para os outros." Com esse norte, desenvolvemos uma série de reportagens que tentam entender o trabalho hoje.
IMPRENSA: É a primeira vez que a Trip realiza uma ação desse tipo - sair da redação para produzir a revista?
Werneck: Um experiência tão radical assim é a primeira vez. Levamos o espírito gonzo às últimas conseqüências, mas sem ter como resultado textos sub-Hunter Thompson.






