Revista Teletime se livra indenizar grupo Opportunity, de Daniel Dantas
Revista Teletime se livra indenizar grupo Opportunity, de Daniel Dantas
Revista Teletime se livra indenizar grupo Opportunity, de Daniel Dantas
PorNa última terça-feira (19), a 3ª Câmara Civil do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) rejeitou um recurso do Opportunity Fund - do grupo Opportunity, pertencente ao banqueiro Daniel Dantas - contra uma sentença em primeira instância a favor da revista Teletime e aos seus jornalistas, Rubens Glasberg e Samuel Possebon.
Especializada no mercado de telecomunicações, a revista publicou reportagens sobre operações do Opportunity, que motivaram um pedido de indenização por danos morais e direito de resposta nos termos da Lei de Imprensa, além de impedir a publicação de fatos ligados ao grupo de Dantas.
De acordo com a sentença a favor da Teletime - cujo relator foi o desembargador Ronaldo Rocha Passos - a notícia "teve caráter meramente informativo e não restou caracterizado qualquer tipo de ataque pessoal contra o autor, nem o abuso do direito de informar".
Rubens Glasberg, um dos jornalistas processados, afirmou ao Portal IMPRENSA que essa decisão do TJ-RJ trouxe satisfação, porque "todas as questões que a gente estava levantando e que em alguns momentos parecia exagero, idéia fixa nossa, ficaram mais claras. Houve e continua havendo um enorme escândalo que começa a vir a público. E muita gente tem medo, porque havia uma relação incestuosa de Dantas com todos os envolvidos".
Para ele, a imprensa começa a perceber o problema a acordar para o assunto. "Ao longo desses anos a imprensa não percebeu a gravidade do assunto, alguns jornalistas até de boa-fé; não imaginavam que chegaria a essas proporções. Houve também casos evidentes de omissão deliberada, de gente apontada hoje como imprensa que trabalhava para o Daniel Dantas", explicou.
"Muitos não vão ao mérito da questão, passou-se a discutir assuntos periféricos, por exemplo se o preso vai ser algemado ou não. A situação está sendo invertida, estão dando crédito ao principal suspeito, abandonando o mérito do problema", disse Glasberg.
Reportagem da Teletime
Publicada no dia 19 de outubro de 2006, a reportagem que originou a ação tinha o título "CVM não responde a perguntas sobre Opportunity Fund". A revista enviou algumas perguntas à assessoria de imprensa da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), baseadas em reportagens dos jornais O Estado de S. Paulo , Jornal do Brasil e Gazeta Mercantil , que destacavam a condenação de Daniel Dantas no Privy Council, a mais alta corte dos países ligados à Justiça Britânica (da qual as Ilhas Cayman fazem parte).
Dantas e sua irmã, Verônica, foram condenados por fraudarem, como administradores do fundo, documentos de correntistas do Opportunity Fund, registrado na CVM - que já havia condenado o órgão anteriormente. As perguntas da Teletime eram relacionadas a essas questões, e não foram respondidas pela comissão.
Após a publicação das perguntas, a CVM e seu então presidente, Marcelo Trindade, disseram que não mais as responderiam, episódio usado judicialmente pelo Opportunity contra a Teletime que, desde 1999, já foi processada cinco vezes pelo grupo de Dantas.
Outras ações
A primeira ação pedia R$ 3 milhões de indenização por danos morais, após a publicação da existência de possíveis informações privilegiadas em operações em bolsa em função da atuação da economista como consultora do Opportunity.
Outras quatro ações contra a editora e alguns de seus jornalistas ocorreram entre 2003 e 2006 no Rio e em São Paulo. Elas pediam indenização por danos morais por reportagens que mostravam suposta gestão fraudulenta do Opportunity, problemas de rentabilidade das empresas geridas por Dantas, disputas societárias ou o conflito de interesses existente no fato de o ex-advogado do Opportunity, Luiz Leonardo Cantidiano, presidir a CVM no período em que a autarquia investigava o Opportunity Fund. Até aqui, a editora venceu todos os processos movidos por Dantas.
Procurada pelo Portal IMPRENSA, a assessoria de imprensa do Grupo Opportunity não respondeu às solicitações.
Foto: Wilson Dias/ABr
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