Revista digital AzMina propõe novo conceito de conteúdo para mulheres
Inspirada na Bitch, revista feminista americana, e com o intuito de dar voz às mulheres que não se sentem representadas pelas publicações femininas, a jornalista Nana Queiroz, criadora do movimento #nãomereçoserestuprada e autora do recém-lançado livro “Presos que Menstruam”, lança nesta terça-feira (1º/9) a revista digital .
Atualizado em 01/09/2015 às 13:09, por
Alana Rodrigues*.
feminista americana, e com o intuito de dar voz às mulheres que não se sentem representadas pelas publicações femininas, a jornalista Nana Queiroz, criadora do movimento #nãomereçoserestuprada e autora do recém-lançado livro “Presos que Menstruam”, lança nesta terça-feira (1º/9) a revista digital .
Crédito:Divulgação Revista foi criada através de financiamento coletivo
"A ideia se converteu de uma revista feminista impressa para uma revista digital empoderadora, gratuita e que fale não apenas a 'convertidas' ao feminismo, mas a todas as mulheres cansadas de serem tratadas com condescendência pelas revistas femininas tradicionais", explica.
A primeira edição traz matérias sobre mulheres inspiradoras, como Sochua Mu, uma ativista cambojana que ajudou a eleger outras 900 mulheres. Mas também histórias tristes, como as condições precárias de trabalho em fábricas de roupas que fornecem para as redes mundiais de fast fashion, tema de uma grande reportagem investigativa feita na China.
Segundo Nana, AzMina, que traz um mix de entretenimento e jornalismo investigativo, apresenta três missões básicas. A primeira é refazer o senso de beleza brasileiro, por meio de ensaios de moda e fotografias que enriqueçam todos os tipos de corpos, etnias e cores. Neles, o Photoshop é proibido.
A segunda é tratar mulheres como seres "críticos e pensantes". "Parece até um desaforo dizer isso, mas as revistas femininas de hoje têm vacilado nessa tarefa óbvia. As mulheres são tratadas como seres acríticos que só pensam em se decorar e esculpir, mantendo seu parceiro custe o que custar", esclarece a jornalista.
A última é promover a diversidade, aceitação e empoderamento feminino, ao usar a informação para fomentar um diálogo e estender as concepções sobre o que é e não é socialmente aceito. "Por conta desta terceira missão, somos a primeira revista feminina no mercado hoje a abraçar definitivamente o público LGBT. Teremos duas colunistas trans e uma editoria para lésbicas feita por uma lésbica", destaca.
A equipe base da revista é composta por dez mulheres e dois homens. Há também cinco colunistas fixas. Por decisão editorial, cada espaço da publicação foi ocupado por pessoas que se encaixam no assunto a ser abordado. "Pensamos com carinho a pessoas ideais para que a revista tivesse a cara que queríamos", diz Nana.
Financiamento
AzMina integra um novo modelo de negócio para garantir liberdade editorial à primeira revista feminina sem fins lucrativos do mercado. Por meio de uma campanha de financiamento coletivo, apoiada por personalidades como Eliane Brum, Laerte, Jean Wyllys e Gregorio Duvivier, a publicação já conseguiu arrecadar R$ 50 mil. "É um sinal de que existe uma sede por informação de qualidade, sem rabo preso com anunciantes, e que fale especificamente sobre o universo feminino, seus desafios, conquistas e alegrias." A ideia é apostar em um modelo de captação misto, no qual crowdfundings contínuos, editais, fundos de ONGs de estímulo ao empoderamento feminino e anúncios “amigos da mulher” ajudem no financiamento. AzMina terá também uma loja virtual com camisetas, porta-cervejas e outros itens. "Acreditamos ser capazes de manter nossa independência jornalística, o que tem sido um grande desafio da imprensa hoje", completa a jornalista.
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves.
Crédito:Divulgação Revista foi criada através de financiamento coletivo
"A ideia se converteu de uma revista feminista impressa para uma revista digital empoderadora, gratuita e que fale não apenas a 'convertidas' ao feminismo, mas a todas as mulheres cansadas de serem tratadas com condescendência pelas revistas femininas tradicionais", explica.
A primeira edição traz matérias sobre mulheres inspiradoras, como Sochua Mu, uma ativista cambojana que ajudou a eleger outras 900 mulheres. Mas também histórias tristes, como as condições precárias de trabalho em fábricas de roupas que fornecem para as redes mundiais de fast fashion, tema de uma grande reportagem investigativa feita na China.
Segundo Nana, AzMina, que traz um mix de entretenimento e jornalismo investigativo, apresenta três missões básicas. A primeira é refazer o senso de beleza brasileiro, por meio de ensaios de moda e fotografias que enriqueçam todos os tipos de corpos, etnias e cores. Neles, o Photoshop é proibido.
A segunda é tratar mulheres como seres "críticos e pensantes". "Parece até um desaforo dizer isso, mas as revistas femininas de hoje têm vacilado nessa tarefa óbvia. As mulheres são tratadas como seres acríticos que só pensam em se decorar e esculpir, mantendo seu parceiro custe o que custar", esclarece a jornalista.
A última é promover a diversidade, aceitação e empoderamento feminino, ao usar a informação para fomentar um diálogo e estender as concepções sobre o que é e não é socialmente aceito. "Por conta desta terceira missão, somos a primeira revista feminina no mercado hoje a abraçar definitivamente o público LGBT. Teremos duas colunistas trans e uma editoria para lésbicas feita por uma lésbica", destaca.
A equipe base da revista é composta por dez mulheres e dois homens. Há também cinco colunistas fixas. Por decisão editorial, cada espaço da publicação foi ocupado por pessoas que se encaixam no assunto a ser abordado. "Pensamos com carinho a pessoas ideais para que a revista tivesse a cara que queríamos", diz Nana.
Financiamento
AzMina integra um novo modelo de negócio para garantir liberdade editorial à primeira revista feminina sem fins lucrativos do mercado. Por meio de uma campanha de financiamento coletivo, apoiada por personalidades como Eliane Brum, Laerte, Jean Wyllys e Gregorio Duvivier, a publicação já conseguiu arrecadar R$ 50 mil. "É um sinal de que existe uma sede por informação de qualidade, sem rabo preso com anunciantes, e que fale especificamente sobre o universo feminino, seus desafios, conquistas e alegrias." A ideia é apostar em um modelo de captação misto, no qual crowdfundings contínuos, editais, fundos de ONGs de estímulo ao empoderamento feminino e anúncios “amigos da mulher” ajudem no financiamento. AzMina terá também uma loja virtual com camisetas, porta-cervejas e outros itens. "Acreditamos ser capazes de manter nossa independência jornalística, o que tem sido um grande desafio da imprensa hoje", completa a jornalista.
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves.





