Revista brasileira "Ufo" é a mais antiga publicação do mundo sobre discos voadores
Extraterrestres, abduções e desenhos em plantações são alguns dos temas da revista, que afirma: os alienígenas já estão entre nós.
Atualizado em 09/06/2014 às 15:06, por
Lucas Carvalho*.
“Eles estão aqui”, dizia a manchete da edição 200 da revista Ufo , de maio de 2013. Às vésperas de completar 30 anos, a publicação se consagra como o mais antigo veículo sobre ufologia do mundo. Centenas de histórias sobre discos voadores, abduções, desenhos em plantações e contatos imediatos depois, a revista busca provar para os desavisados que os alienígenas já estão entre nós.
“Já não é mais uma questão de crença, é uma questão de dado confirmado”, diz Ademar José Gevaerd, editor da Ufo . A sigla em inglês significa “ Unidentified Flying Object ”, ou “Objeto Voador Não-Identificado” (Ovni) em português. Desde a década de 1940, a ufologia é a linha de pesquisa que estuda a manifestação no planeta Terra de seres de outros planetas, especialmente a bordo de discos voadores.
Crédito:Divulgação Revista completa 30 anos em 2014 “Desde o princípio da ufologia, já havia o conceito de que esses veículos não eram originados na Terra. Eles não poderiam ser, pois tinham uma tecnologia que transcendia, e até hoje transcende, e muito, toda a nossa tecnologia terrestre. A noção de que o fenômeno UFO é muito presente no nosso dia-a-dia é um conceito que deve sempre ser levado em conta”, defende Gevaerd.
Hoje, a Ufo opera como veículo de divulgação do Centro Brasileiro de Pesquisa de Discos Voadores (CBPDV), entidade que já existe há mais de três décadas e possui cerca de 3 mil associados no Brasil e no exterior. O conteúdo da revista é produzido a partir de pesquisas de campo realizadas pelos ufólogos que trabalham com a publicação, a partir de relatos, fotos e vídeos de pessoas que afirmam terem visto ou registrado a manifestação dos extraterrestres.
Atualmente, a revista é distribuída em todo o Brasil e também em Portugal, além de algumas cidades da Espanha. A publicação atinge cerca de 150 mil pessoas mensalmente, em tiragem que circula pela casa dos 15 mil exemplares. “O nosso objetivo é a difusão, cada vez maior e cada vez mais consciente, sempre de maneira imparcial da realidade: nós estamos sendo visitados por várias espécies de outros planetas”, diz Gevaerd.
Os mesmos desafios
A publicação depende hoje, exclusivamente, da receita gerada por suas vendas. Ao contrário de inúmeros outros títulos brasileiros, não há qualquer espaço para publicidade nas páginas da Ufo . Gevaerd afirma que não é fácil fazer uma revista sobre ufologia pois, segundo ele, a grande maioria das marcas ainda trata a publicação com desdém ou preconceito. “Sejam anunciantes privados ou governamentais, eles não vêem com bons olhos a ideia de publicar um anúncio dos seus produtos ou serviços conosco”, lamenta o editor.
Crédito:Divulgação
Ademar José é editor da revista Ufo Além do preconceito de potenciais anunciantes, a Ufo precisa também lidar com a crise da mídia impressa após a explosão da rede mundial de computadores. “A internet, hoje, ao mesmo tempo em que ela prejudica nosso trabalho, ela também ajuda. Se antes nós tínhamos uma quantidade X de leitores, hoje essa quantidade está reduzida a 20% do que era. Isso por que, hoje, as pessoas preferem ir para a web buscar informação de graça”, afirma Gevaerd.
“Às vezes nós nos preocupamos em fazer uma investigação muito bem feita, com um artigo bem elaborado e substanciado, publicamos na revista em sete ou oito páginas, com texto, foto, etc… Alguém pega e coloca isso na internet e as pessoas se contentam em ler os dois primeiros parágrafos – e olhe lá! Infelizmente, ao mesmo tempo em que a rede popularizou esse assunto de uma maneira brutal, ela nivelou por baixo a pesquisa ufológica. Hoje, o estudo da ufologia tem uma qualidade muito inferior a que tinha antes”, continua.
Preconceito com o tema
Paolla Arnoni é jornalista, integrante do Centro de Ufologia Brasileiro (CUB) e autora do livro “Marcas de um Contato: A relação entre a imprensa e a ufologia”. Segundo ela, o tema ainda é tratado de maneira “jocosa” por grande parte da população, e o principal empecilho está na maneira como a grande mídia trata o assunto.
“A maioria dos veículos trata de forma sensacionalista. Primeiro pelo preconceito por parte da maioria dos jornalistas. Ou por conceitos subjetivos ou por ignorância, tratam o assunto de forma superficial. Não se preocupam, de forma geral, em estudar o glossário, em ouvir os milhares de lados da moeda – como é preceito do jornalismo. E vendem o assunto da mesma forma.”
“Não é mais uma questão de acreditar ou não no fenômeno UFO, mas sim de encarar que há fatos e eles não são tratados de acordo com o código de ética dos jornalistas. Não é dever do jornalista apurar? Não é dever do jornalista entrevistar várias fontes? […] A descrença por parte do corpo jornalístico influencia no interesse pelas matérias, e em sua maioria por conta disso ridicularizam o assunto, mesmo com evidências, depoimentos e provas (como fotos) bacanas”, acrescenta a jornalista.
Gevaerd, por outro lado, comemora que parte da grande imprensa tenha demonstrado cada vez mais interesse e imparcialidade ao tratar do assunto. Para o editor da Ufo, porém, ainda falta espaço na mídia para a divulgação da ufologia. “A imprensa precisa dar mais destaque. Esse é um assunto do cotidiano da maior importância. O fato de estarmos recebendo visitas de seres de outros mundos é uma coisa muito séria. Há uma necessidade de que a população seja esclarecida.”
“A Ufo é só uma andorinha que não faz verão nenhum. A revista é pequena, nossa tiragem beira os 15 mil exemplares. Comparado a revistas de circulação de um milhão de exemplares, que poderiam tratar disso pelo menos uma vez a cada dois ou três meses… Seria muito desejável, e há, sim, espaço para que a imprensa trate mais e com mais profundidade esse tema”, finaliza Gevaerd.
* Com supervisão de Danúbia Paraizo
“Já não é mais uma questão de crença, é uma questão de dado confirmado”, diz Ademar José Gevaerd, editor da Ufo . A sigla em inglês significa “ Unidentified Flying Object ”, ou “Objeto Voador Não-Identificado” (Ovni) em português. Desde a década de 1940, a ufologia é a linha de pesquisa que estuda a manifestação no planeta Terra de seres de outros planetas, especialmente a bordo de discos voadores.
Crédito:Divulgação Revista completa 30 anos em 2014 “Desde o princípio da ufologia, já havia o conceito de que esses veículos não eram originados na Terra. Eles não poderiam ser, pois tinham uma tecnologia que transcendia, e até hoje transcende, e muito, toda a nossa tecnologia terrestre. A noção de que o fenômeno UFO é muito presente no nosso dia-a-dia é um conceito que deve sempre ser levado em conta”, defende Gevaerd.
Hoje, a Ufo opera como veículo de divulgação do Centro Brasileiro de Pesquisa de Discos Voadores (CBPDV), entidade que já existe há mais de três décadas e possui cerca de 3 mil associados no Brasil e no exterior. O conteúdo da revista é produzido a partir de pesquisas de campo realizadas pelos ufólogos que trabalham com a publicação, a partir de relatos, fotos e vídeos de pessoas que afirmam terem visto ou registrado a manifestação dos extraterrestres.
Atualmente, a revista é distribuída em todo o Brasil e também em Portugal, além de algumas cidades da Espanha. A publicação atinge cerca de 150 mil pessoas mensalmente, em tiragem que circula pela casa dos 15 mil exemplares. “O nosso objetivo é a difusão, cada vez maior e cada vez mais consciente, sempre de maneira imparcial da realidade: nós estamos sendo visitados por várias espécies de outros planetas”, diz Gevaerd.
Os mesmos desafios
A publicação depende hoje, exclusivamente, da receita gerada por suas vendas. Ao contrário de inúmeros outros títulos brasileiros, não há qualquer espaço para publicidade nas páginas da Ufo . Gevaerd afirma que não é fácil fazer uma revista sobre ufologia pois, segundo ele, a grande maioria das marcas ainda trata a publicação com desdém ou preconceito. “Sejam anunciantes privados ou governamentais, eles não vêem com bons olhos a ideia de publicar um anúncio dos seus produtos ou serviços conosco”, lamenta o editor.
Crédito:Divulgação
Ademar José é editor da revista Ufo Além do preconceito de potenciais anunciantes, a Ufo precisa também lidar com a crise da mídia impressa após a explosão da rede mundial de computadores. “A internet, hoje, ao mesmo tempo em que ela prejudica nosso trabalho, ela também ajuda. Se antes nós tínhamos uma quantidade X de leitores, hoje essa quantidade está reduzida a 20% do que era. Isso por que, hoje, as pessoas preferem ir para a web buscar informação de graça”, afirma Gevaerd. “Às vezes nós nos preocupamos em fazer uma investigação muito bem feita, com um artigo bem elaborado e substanciado, publicamos na revista em sete ou oito páginas, com texto, foto, etc… Alguém pega e coloca isso na internet e as pessoas se contentam em ler os dois primeiros parágrafos – e olhe lá! Infelizmente, ao mesmo tempo em que a rede popularizou esse assunto de uma maneira brutal, ela nivelou por baixo a pesquisa ufológica. Hoje, o estudo da ufologia tem uma qualidade muito inferior a que tinha antes”, continua.
Preconceito com o tema
Paolla Arnoni é jornalista, integrante do Centro de Ufologia Brasileiro (CUB) e autora do livro “Marcas de um Contato: A relação entre a imprensa e a ufologia”. Segundo ela, o tema ainda é tratado de maneira “jocosa” por grande parte da população, e o principal empecilho está na maneira como a grande mídia trata o assunto.
“A maioria dos veículos trata de forma sensacionalista. Primeiro pelo preconceito por parte da maioria dos jornalistas. Ou por conceitos subjetivos ou por ignorância, tratam o assunto de forma superficial. Não se preocupam, de forma geral, em estudar o glossário, em ouvir os milhares de lados da moeda – como é preceito do jornalismo. E vendem o assunto da mesma forma.”
“Não é mais uma questão de acreditar ou não no fenômeno UFO, mas sim de encarar que há fatos e eles não são tratados de acordo com o código de ética dos jornalistas. Não é dever do jornalista apurar? Não é dever do jornalista entrevistar várias fontes? […] A descrença por parte do corpo jornalístico influencia no interesse pelas matérias, e em sua maioria por conta disso ridicularizam o assunto, mesmo com evidências, depoimentos e provas (como fotos) bacanas”, acrescenta a jornalista.
Gevaerd, por outro lado, comemora que parte da grande imprensa tenha demonstrado cada vez mais interesse e imparcialidade ao tratar do assunto. Para o editor da Ufo, porém, ainda falta espaço na mídia para a divulgação da ufologia. “A imprensa precisa dar mais destaque. Esse é um assunto do cotidiano da maior importância. O fato de estarmos recebendo visitas de seres de outros mundos é uma coisa muito séria. Há uma necessidade de que a população seja esclarecida.”
“A Ufo é só uma andorinha que não faz verão nenhum. A revista é pequena, nossa tiragem beira os 15 mil exemplares. Comparado a revistas de circulação de um milhão de exemplares, que poderiam tratar disso pelo menos uma vez a cada dois ou três meses… Seria muito desejável, e há, sim, espaço para que a imprensa trate mais e com mais profundidade esse tema”, finaliza Gevaerd.
* Com supervisão de Danúbia Paraizo





