“Reunião de Pauta” durante o midia.JOR 4.0 discutiu as transformações digitais no jornalismo

Evento foi realizado na última sexta-feira, dia 6, pela Revista e pelo Portal IMPRENSA, na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM),

Atualizado em 10/04/2018 às 16:04, por Denilson Oliveira.

Na última sexta-feira, dia 6, foi realizado em São Paulo o mídia.JOR 4.0. Promovido pela Revista e Portal IMPRENSA, o evento contou com a participação de diversos nomes do jornalismo e da comunicação e reuniu mais de uma centena de pessoas, no auditório da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) em São Paulo, para debater o jornalismo exponencial e o impacto da quarta revolução industrial na comunicação. Crédito:Bruno Castro Dalton Pastore, presidente da ESPM, lembrou da importância da realização do evento num momento de transformação na maneira como nos comunicamos e consumimos informação. “Esse evento é de extrema importância. O que vem sendo publicado nas redes sociais fará com que as pessoas entendam a importância do jornalismo”
Sinval de Itacarambi Leão, diretor da IMPRENSA Editorial, abriu o mídia.JOR 4.0 fazendo uma referência ao filme “2001: Uma Odisseia no Espaço”, de Stanley Kubrick, que completou 50 anos na última semana. “Há cinco décadas surgiu no filme a expressão inteligência artificial, na figura do computador Hal 9000, que levava a tripulação para uma viagem a Júpiter”, disse. Segundo ele, naquela época o diretor do filme já fazia um prenúncio do que hoje seria a revolução 4.0, com o big data, robótica e diversas tecnologias que “estavam nos berçários da Nasa e da indústria soviética”, completou.
Foi com esse discurso, que o diretor da Revista e do Portal IMPRENSA aguçou a imaginação dos presentes sobre o futuro que espera o jornalismo e abriu espaço para Ethevaldo Siqueira, um dos principais jornalistas especializados em tecnologia no país, dar início ao painel “Reunião de Pauta”.
O painel contou com a presença de quatro nomes de peso: Thaís Oyama, redatora-chefe de Veja, Suzana Singer, editora de treinamento da Folha de S.Paulo, Daniel Bramatti, editor do Estadão Dados e presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e Moises Rabinovici, gerente de redação da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC). Na pauta: como o jornalismo vem se adaptando às transformações digitais.
Uma das abordagens dessa transformação foi o surgimento do jornalismo de dados nas redações. “A barreira do jornalismo de dados está diminuindo nas redações. Hoje, já se há ferramentas e softwares para extrair dados. Essas informações estão cada vez mais fáceis e acessíveis. Antes era preciso saber de programação para se trabalhar com isso. Agora não”, disse Bramatti, do Estadão Dados.
“O trabalho jornalístico ficou mais complexo. Com muita informação. Precisamos aproveitar essas novas ferramentas, mas sem abrir mão do que foi conquistado no passado”, completou Suzana, da Folha.
Para Ethevaldo a função do jornalismo é extrair o que há de útil no big data. “Buscar o que é importante nesse ambiente exige cultura e uma série de conhecimentos por parte do jornalista”. Crédito:Gisele Sotto Já Thaís, da Veja, concluiu afirmando que, se bem manejados, esses recursos farão com que a informação evolua. “A internet hoje nada mais é que uma máquina copiadora. Só replica uma série de conteúdos. O mundo sabe prover respostas com isso, mas sabe fazer perguntas?”
Durante o debate, Rabinovici, da EBC, também questionou como será o consumo da informação nos próximos anos. “Os leitores vão precisar do jornal para se informar ou consumirão só informações que lhes interessar?”.
Para Bramatti, a revolução 4.0 no jornalismo não será tão obscura: “as mídias não ficarão irrelevantes. Bem como os jornalistas, que já têm sua credibilidade consolidada. As grandes empresas de tecnologia e redes sociais já estão preocupadas com o conteúdo que é produzido. Nossa relevância é mostrar que nosso jornalismo continuará sendo checado, feito com fontes e qualificado”.
Ethevaldo ainda lembrou de um exemplo de como os grandes veículos estão se adaptando à essa revolução 4.0. Segundo ele, em um curto prazo, o jornal americano The New York Times não será mais impresso. “Essa mudança não deve ser só nas redações. Precisa ser feita na cultura do jornalismo. Por exemplo: os cursos universitários da nossa área devem olhar permanentemente para o futuro. E o jornalista sempre precisará ter uma cultura geral”, disse.
Para Suzana Singer, as faculdades deixam essas lacunas nos cursos de jornalismo. “É o que mais me chama a atenção na juventude que está saindo da faculdade de comunicação. Uma forma de driblarmos isso é abrindo espaço para que pessoas de outras profissões possam escrever sobre determinado assunto. Tanto que a Folha aceita profissionais de outras áreas na redação”, disse.

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