RETROSPECTIVA: Os principais casos de violência contra jornalistas no Brasil em 2013

O ano de 2013 foi mais um marco na triste história de violência contra profissionais da imprensa no Brasil. Foram seis casos registrados de

Atualizado em 23/12/2013 às 16:12, por Lucas Carvalho e  Edson Caldas e Alana Rodrigues*.

O ano de 2013 foi mais um marco na triste história de violência contra profissionais da imprensa no Brasil. Foram sete casos registrados de assassinatos a jornalistas, cinco ainda impunes.
Relatórios da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), da Associação Nacional de Jornais (ANJ), da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e da organização internacional Repórteres Sem Fronteira (RSF) contabilizam um total de 170 casos de violência, incluindo mortes, sequestros, agressões e censuras judiciais ao longo do ano.
Crédito:Agência Brasil Violência contra a imprensa aumentou no Brasil em 2013
Balanço final e perspectivas Para Celso Schroder, presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaji), a onda de manifestações foi algo que agravou ainda mais a situação brasileira. “Um certo rancor contido, muitas vezes com razão, contra a cobertura que a imprensa faz de movimentos sociais - uma criminalização banal e primária - fez com que esses movimentos, com toda a sua complexidade, acabassem voltando-se contra a imprensa, por conta de uma certa incapacidade de distinguir os jornalistas das empresas.”
“Existe uma espécie de antijornalismo no país. Fatores sociais, sejam quais forem, a esquerda ou a direita, no poder ou no contrapoder, seja onde for, parece que têm uma certa incapacidade de conviver com a atividade jornalística, e isso é perigoso”, afirma Schroder. Para melhorar essa situação, ele conclui: “Não podemos reagir com bandeiras. Nós não somos uma profissão de risco. Quando nós assumimos condições de risco, esses riscos devem ser minimizados o máximo possível. E essa minimização passa por comportamento profissional, relações empregatícias e, obviamente, pela proteção do Estado”.
Ano violento

Confira abaixo um breve resumo dos principais casos divulgados na mídia nos últimos 12 meses, que situam o Brasil como um dos países mais perigosos para jornalistas na América Latina, segundo a RSF.
Janeiro e fevereiro Dois jornalistas mortos já no começo do ano. Renato Machado Gonçalves, de 41 anos, que foi baleado em São João da Barra (RJ), e Mafaldo Bezerra, que, segundo a justiça de Jaguaribe (CE), teve assassinato encomendado pelo chefe de uma quadrilha local.
Março Mais uma morte e os primeiros casos de censura e atentados no ano. Rodrigo Neto de Faria é assassinado em Ipatinga (MG), após denúncias sobre um suposto esquadrão de extermínio formado por policiais da região. As rádios AM 970 e FM 105.9, pertencentes ao Sistema Monólitos de Comunicação, no Ceará, foram alvos de tiros neste mês.
Abril e maio Mais um jornalista morto: Walgney Assis de Carvalho, em Coronel Fabriciano (MG). Novos casos de agressões a repórteres durante coberturas no Rio de Janeiro, Paraná, Amazonas, Espírito Santo e São Paulo. Mais três processos judiciais terminam em censura de conteúdo jornalístico na TV e na mídia impressa, no Rio Grande do Sul e em Tocantins.
Junho a outubro Começa a onda de protestos em São Paulo que logo se espalharia pelo Brasil inteiro, levando a uma série de casos de violência contra jornalistas. Além disso, foram registradas duas tentativas de homicídio, três atentados a rádios e carros de emissoras, sete casos de agressão - como o repórter do “CQC”, da Band, Ronald Rios, durante jogo entre Corinthians e São Paulo - quatro casos de censura judicial e quatro casos de ameaça de morte. Além disso, um jornalista chegou a ser sequestrado e dois foram assassinados no país.
Manifestações As manifestações que percorreram o Brasil entre os meses de junho e outubro merecem parágrafo a parte. Um levantamento da Abraji contabilizou 113 casos de agressões a profissionais da imprensa durante os protestos, confirmando que, em 70 deles, o ataque foi deliberado. Esses casos de violência incluem intimidação, violência física, tentativa de atropelamento, ataque de cães policiais, furto ou dano de equipamentos e prisão. Na grande maioria dos casos, os autores das agressões foram policiais militares. A cidade que mais registrou casos de violência contra jornalistas durante os protestos foi Rio de Janeiro, seguida de São Paulo e Belo Horizonte.
Novembro e dezembro Três casos de agressão a profissionais da imprensa registrados neste final de ano, como o caso do repórter Daniel Vasques, da Folha de S.Paulo , que alegou ter sido agredido por funcionários das obras da Arena Corinthians, em São Paulo, incluindo o ex-presidente do clube, Andrés Sanches, que negou. Em dezembro, dois casos de agressão e uma morte.
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves