Responda, sinceramente
Responda, sinceramente
Quando você apura uma matéria e se confronta com uma bifurcação que desmonta a sua tese íntima, você continua no caminho que tinha trilhado para a reportagem, mais curto, ou encara fazer o trajeto mais longo? Você é a Chapeuzinho Vermelho da redação?
Quando você procura uma fonte que se mostra inacessível em um primeiro momento, desiste logo e trata de escrever no final de seu texto que, "procurada, a fonte não retornou as ligações até o horário do fechamento", ainda que esse texto tenha sido fechado às 13 horas?
Você, editor, já derrubou uma matéria porque ela afetaria suas relações com amigos, compadres, colegas, cunhados ou sogros?
Lembre-se, você já publicou um release tal qual chegou à sua caixa de entrada, sem ao menos lê-lo até o fim?
Já solicitou material para a assessoria de imprensa de determinada empresa, exigindo que ele chegasse a tempo de você aproveitar, como se o salário pago ao profissional do outro lado da linha fosse pago por você?
Quando recebe ligações de assessores sugerindo pautas, você os trata com desdém somente porque acredita que sua posição, na redação, é mais privilegiada que a dele, no atendimento à imprensa?
E você, assessor de imprensa, já deixou de enviar ou compartilhar alguma informação que seria útil ou interessante para o jornalista da redação e para o seu cliente, apenas porque inveja a posição do colega e quer, por isso mesmo, se vingar dele usando, para isso, o poder te concentrar informações?
Na porta de uma festa, de uma peça de teatro, de um espetáculo, você já deu carteirada? Já pediu para passar à frente da fila porque é "jornalista"? Quando prejudicado em alguma relação de consumo, ou pelas atendentes de telemarketing, você já afirmou que se o problema não fosse resolvido imediatamente, iria acionar os seus amigos na redação e publicar uma matéria bombástica contra a empresa?
Você já limou um coleguinha simplesmente porque discorda das posições políticas, das crenças religiosas, do bairro onde ele mora e da sua orientação sexual? Já gritou com alguém na redação, ainda que nas reuniões afirme o diálogo ser o melhor caminho para o trabalho coletivo?
Você perde tempo, ao longo do dia, falando mal de colegas da redação por e-mail, MSN, Skype, SMS, correio elegante, sinal de fumaça ou outros comunicadores supostamente discretos? Você faz terrorismo coletivo na redação, impedindo a paz de espírito de seus companheiros de trabalho?
Quando você bebe, desanca a falar mal dos seus chefes? E você, chefe, menospreza seus subordinados? Sóbrios, vocês teriam coragem de falar a eles, diretamente, o que fala aos outros?
Bem-vindo ao mundo das redações.






