Repressão 2.0 é uma atualização das piores táticas de censura a jornalistas, diz ONG

As tecnologias da informação - internet, plataformas de mídias digitais e smartphones - deveriam tornar a censura obsoleta, mas na verdade atornaram mais complexa e sofisticada.

Atualizado em 27/04/2017 às 13:04, por Redação Portal IMPRENSA.

Essa é uma das conclusões da edição de 2017 do relatório Ataques à Imprensa, da ONG Committee to Protect Journalists (CPJ). Crédito:Reprodução

"O fato é que, enquanto estamos recebendo uma quantidade enorme de informações, há imensas lacunas no nosso conhecimento do mundo. As lacunas estão crescendo como os violentos ataques contra a cobertura da mídia, à medida que os governos desenvolvem novos sistemas de controle de informações e que a tecnologia que permite que a informação circule seja cooptada e usada para sufocar a liberdade de expressão", diz o texto de introdução ao documento.


As estratégias de controle e gerenciamento de informações, de acordo com a ONG, se dividem em três categorias: repressão 2.0, controle político dissimulado e tecnologia de capitura.


"A repressão 2.0 é uma atualização das piores táticas antigas, da censura estatal à prisão de críticos, com novas tecnologias de informação, incluindo smartphones e mídias sociais, com o intuito de 'aparar arestas'", explica o texto.


Já o controle político dissimulado seria "um esforço sistemático para ocultar ações repressivas, revestindo-as com o manto das normas democráticas". A tecnologia de captura se baseia no uso das mesmas tecnologias que promovem a circulação de informação para sufocar a dissidência. "A mais insidiosa de todas essas estratégias é semear a confusão através de propaganda e notícias falsas", diz a ONG, que também cita a eleição polarizadora de Donald Trump nos Estados Unidos.


Ainda segundo a entidade, essas estratégias contribuíram para o aumento da repressão a jornalistas, com assassinatos e prisões em todo o mundo: "No final de 2016 havia 259 jornalistas na cadeia, o número mais elevado já documentado pelo CPJ".


É possível ter acesso aos textos do relatório neste .