Representantes da RSF são impedidos de visitar Julian Assange na prisão

Depois de uma longa negociação, na qual obtiveram permissão para visitar Julian Assange, fundador do WikiLeaks, na prisão de segurança máxima de Belmarsh, em Londres, os jornalistas Christophe Deloire e Rebecca Vincent, da Repórteres Sem Fronteiras (RSF), informaram hoje que foram impedidos, por autoridades britânicas, de acessar o local.

Atualizado em 04/04/2023 às 16:04, por Redação Portal IMPRENSA.


"A negação deu-se por uma razão espúria. É uma vergonha", protestou Deloire no Twitter, alegando que até ontem o encontro, do qual também participaria a esposa de Assange, Stella, estava confirmado. "Eu viajei de Paris e estou ultrajado com essa decisão de última hora." Crédito: Reprodução RSF Assange está há 4 anos num presídio de Londres, para onde foi após 7 anos de confinamento na embaixada do Equador Ainda de acordo com o representante da RSF, as autoridades justificaram que o encontro foi negado pois Deloire e Vincent não teriam informado que são jornalistas. "Isso é obviamente um argumento de terrível má-fé", descreveu Deloire.
Extradição

Na próxima semana Assange completa 4 anos na prisão de Belmarsh, para onde foi enviado após 7 anos de confinamento na embaixada do Equador em Londres. Entidades de defesa da liberdade de imprensa têm lutado para que ele não seja extraditado para os Estados Unidos, onde pode ser condenado a até 175 anos de prisão.
Assange é acusado pelo governo dos EUA de espionagem e de publicar documentos confidenciais, que revelaram crimes de guerra em países como Iraque, Afeganistão e Guantánamo.
Um desses documentos é um vídeo que mostra a execução, por militares americanos a bordo de um helicóptero dos EUA no Iraque, em 2007, de pelo menos 18 civis, incluindo dois jornalistas da agência Reuters.
Os documentos vazados pelo WikiLeaks foram publicados em jornais de vários países. Para especialistas em liberdade de imprensa, a condenação de Assange representa um ataque ao exercício jornalístico.