Repórteres Sem Fronteiras parabenizam STF por liberar circulação da “IstoÉ” sobre delator

Revista citava o governador do Ceará, Cid Gomes (Pros), como um dos suspeitos de envolvimento no suposto esquema de corrupção na Petrobras.

Atualizado em 24/09/2014 às 14:09, por Redação Portal IMPRENSA.

A organização não governamental Repórteres Sem Fronteiras (RSF) vê com bons olhos a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em liberar a circulação de uma edição da revista IstoÉ, que cita o governador do Ceará Cid Gomes (Pros) como um dos suspeitos de envolvimento no suposto esquema de corrupção da Petrobras, com base na delação premiada de um ex-diretor da estatal.
Crédito:Reprodução Entidade viu com bons olhos ação da STF em liberar circulação da revista
De acordo com a agência EFE, o comunicado parabeniza a decisão judicial da alta corte, que teria adotado “uma postura firme contra a censura”. “Solicitamos às autoridades que evitem os processos de difamação que estão sendo usados como método de censura prévia em busca de interesses políticos", escreve a responsável pela seção ‘Américas’ da entidade, Camille Soulier.
A reportagem de capa da revista IstoÉ publicada na segunda semana deste mês revelou novos nomes apresentados na delação premiada do ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa. Colaborando com as investigações sobre atos ilícitos na estatal, o executivo teria citado diversos políticos como integrantes de um esquema ilegal. Entre eles, estava Cid Gomes.
Um dia antes de a matéria ser publicada, o político entrou com uma ação contra a Editora Três alegando danos morais. O pedido foi pela juíza Maria Marlene Maciel Queiroz, que determinou que a edição deveria ser impedida de circular e, se distribuída, que fosse recolhida.
A decisão da magistrada também estipulava uma multa diária de R$ 5 milhões, caso as medidas não fossem respeitadas. Na avaliação de Queiroz, “o autor [Gomes] encontra-se na iminência do perigo de ver o seu nome envolvido em uma situação cuja futura ação apreciada pelo Poder Judiciário, ante ser notório que os fatos ainda estão em fase de investigação tramitando em segredo de Justiça”, afirma.
Com o título “ ”, a matéria de capa procura esclarecer ao leitor o processo de delação premiada e as investigações que apontam um esquema de corrupção na estatal. A Polícia Federal apura se houve eventuais crimes na empresa. O texto aponta que Cid Gomes foi citado pelo delator e teria negociado com ele a instalação de uma minirrefinaria no Ceará.
O projeto seria apenas um artifício para a lavagem de dinheiro por meio de empresas fictícias. A IstoÉ ouviu o governador, que negou as acusações. O ministro do STF, Luís Roberto Barroso, derrubou a decisão por considerá-la inconstitucional e liberou a circulação da revista no dia 17 de setembro.