Repórteres do Esporte Interativo são atacadas por torcedores em fanzone da Eurocopa

A Eurocopa 2016 tem sido ofuscada pelos casos de violência fora dos estádios. Além de diversos embates entre hooligans, jornalistas têmsido alvo dos torcedores, como aconteceu com a que sofreu agressão e insultos racistas na última quinta-feira (16/6).

Atualizado em 20/06/2016 às 11:06, por Redação Portal IMPRENSA.

França, tem sido ofuscada pelos casos de violência fora dos estádios. Além de diversos embates entre hooligans, jornalistas têm sido alvo dos torcedores, como aconteceu com a que sofreu agressão e insultos racistas na última quinta-feira (16/6). Crédito:Reprodução Jornalistas foram atacadas por torcedores e intimidadas pela polícia francesa

O que parecia ser um caso isolado, acabou se reproduzindo com outras jornalistas de uma emissora brasileira. As repórteres Bibiana Bolson e Isabela Pagliari, do Esporte Interativo, foram atacadas por torcedores no sábado (18/6).

Em relato no Facebook, Bibiana desabafou sobre a falta de segurança à imprensa que cobre a competição. Segundo ela, o ataque aconteceu quando estava na fanzone, local reservado para torcedores. A jornalista revela que durante toda a cobertura elas procuraram manter distância da grande massa e ficar atentas a qualquer movimentação que pudesse as colocar em risco.

A dupla gravava uma reportagem quando "uma manada de torcedores nos atacou, saímos correndo e um deles inclusive puxou o lenço que eu usava, para que pudesse me livrar do monstro, tive que usar a força física, uma violência absurda, um constrangimento terrível e um pânico de ser obrigada a fazer algo. Ninguém ajudou, ninguém protegeu! Onde estavam os seguranças”. De acordo com a repórter, só conseguiram gravar o material depois de pedir ajuda à segurança.

No entanto, elas reclamam do descaso como o caso foi tratado pela polícia francesa. "Como de costume, eles esvaziam a área ao final do evento e nem quiseram ouvir o que havia acontecido, nos tiraram praticamente a força, com palavras em tom agressivo e já segurando nosso material. Um deles pediu para ver as credenciais e de forma forçada queria fotografar a da Isabela e reportar de forma mentirosa como se estivéssemos nos negando a deixar o lugar. De um jeito violento, seguiu segurando nosso material, abusando do poder que tinha no momento e aproveitando o fato de sermos duas estrangeiras e mulheres”.

"Nos sentimos humilhadas, impedidas de fazermos nosso trabalho e desprotegidas. O sujeito mentiu para o chefe da segurança, nos qualificando como “desrespeitosas”, “criminosas” e “que teríamos descumprido regras”, o que não ocorreu”, diz Bibiana.

Para piorar a situação, os policiais tomaram a credencial da I sabela Pagliari e conduziram as jornalista até uma sala, "onde a humilhação foi ainda maior". "Não nos ouviram, mesmo que a Isa estivesse falando em francês perfeito e eu em inglês. Injustamente, de uma forma violenta e absurda fomos retiradas do local”, completa.

"Entendemos os problemas com segurança que o país vive, mas o que presenciamos passa longe dos princípios tão conhecidos dos franceses: Igualdade? Me senti tão injustiçada, humilhada e forçada, sem ter feito absolutamente nada. O despreparo de um segurança e o desejo de provar que tinha poder por pura vaidade de dizer “não me interessa, aqui quem manda sou eu” pode nos causar sérios problemas profissionais no que seria a realização para qualquer um. A noite do dia 18 já não será esquecida, mas formalmente buscaremos nossos direitos”, concluiu.


Leia também

-

-

-