Repórteres "de rua" e "de redação" destacam as diferenças nas carreiras
Gravar boletins e buscar pautas reais ou vasculhar a web com o telefone na mão?
Atualizado em 07/08/2014 às 11:08, por
Lucas Carvalho*.
Um jornalista precisa estar sempre bem posicionado para encontrar e reproduzir notícias com agilidade. Graças à internet, os repórteres não precisam mais deixar as redações para mergulhar em uma pauta. Mas será que é dentro de quatro paredes que se faz jornalismo? IMPRENSA ouviu profissionais com experiência “de rua” e “de redação” para compreender as diferenças entre as duas práticas.
Crédito:shutterstock
Repórteres falam da diferença do trabalha na rua e na redação Amanda Previdelli é repórter do G1 e está acostumada a passar o dia longe do escritório, com pautas ao ar livre. Porém, com passagens pela revista Exame , portal iG Esporte e o site Salada de Cinema, já trabalhou também muito dentro da redação, em apurações por telefone e internet.
“Pessoalmente, eu gosto muito mais de ir para a rua. Eu me sinto fazendo a reportagem com a minha mão mesmo. Mas eu entendo os dois tipos de jornalismo”, afirma Amanda. A repórter diz que trabalhou muito na famosa “cozinha” – reproduzindo notícias de outros veículos – e tem ressalvas, apenas, para quando a prática é “desonesta”.
“Eu odeio quando vejo texto ‘cozinhado’ sem o crédito. Eu trabalhei em lugares que a gente cozinhava a Folha de S. Paulo , mas sempre deixávamos lá: ‘segundo o jornal Folha de S. Paulo ’ etc.”, destaca a jornalista.
O jornal citado por Amanda produz conteúdo para impresso e web com profissionais trabalhando nos diferentes campos, dentro e fora da redação. Giba Bergamin Jr. já foi repórter, chefe de reportagem e editor. Hoje na Folha , ele diz que gosta das duas áreas, mas “não existe nada mais prazeroso para um jornalista do que fazer reportagem”.
“Ou seja, a rua é muito mais legal”, diz, rindo. “Mas eu acho que não existe isso de repórter de impresso, de internet, de rua e de redação. Hoje, o repórter tem que ser versátil. Tem que ser ágil para mandar uma notícia para a internet o quanto antes e, ao mesmo tempo, produzir um material diferente para o dia seguinte no jornal”, opina.
Algumas editorias, porém, exigem que o jornalista fique mais tempo entre quatro paredes, diante da tela de um computador e ao alcance do telefone. Essa é a opinião de Monica Campi, repórter do site da revista Info .
“É mais difícil você achar uma pauta de tecnologia, por exemplo, na rua. Lá é mais para alguma coisa voltada a ‘Comportamento’, ‘Cotidiano’ etc. Até por isso, não tem como usar outro método”, diz. Mesmo assim, ela ressalta, existem maneiras de levar o jornalismo especializado para o hard news, sem abrir mão de pautas mais apuradas.
“Dá pra tentar mesclar. Às vezes, tem um evento como a Campus Party [convenção para fãs e empresas de tecnologia realizado anualmente em São Paulo], por exemplo. Este ano, a Info montou uma redação e trabalhamos diretamente de lá. Foi bacana, pois você tinha um espaço ali para caçar alguns cases, conversar com as pessoas e achar umas pautas interessantes”, conta a jornalista.
Existe um lado melhor?
É unânime que os dois meios de trabalho possuem características que acrescentam à formação do profissional. Cada um à sua maneira, mas “é a rua que te ensina a ser repórter”, opina Bergamin Jr.
“É na rua que você vai buscar a notícia, não na redação, à distância, por telefonema. Imagina em um grande caso de polícia: você tem de estar lá, conversando com as pessoas que vivem por perto; fazer contato, não só com o delegado na coletiva, mas com o investigador que está ali na rua levantando as informações. [...] A única maneira de fazer isso é conversando pessoalmente”, diz o jornalista.
Por outro lado, Monica destaca que a internet também possibilitou uma maior agilidade às centrais de notícia. “Se eu estiver trabalhando na rua e acontecer alguma coisa num outro estado, ou outra cidade, eu não teria esse conhecimento com rapidez. Muitas vezes a gente acaba até se pautando por Facebook, por algo que alguém divulgou nas redes sociais. [A internet] também serve como uma fonte.”
Amanda finaliza destacando que rua e redação são meios distintos de fazer a mesma coisa: informar. “Não acho certo quem fala que um jornalista de redação é melhor que de rua, ou vice-versa. Para mim, são coisas diferentes. Acho legal ter as duas experiências para você poder escolher aquilo que você gosta mais.”
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* Com supervisão de Vanessa Gonçalves






