Repórteres da "CartaCapital" são barrados na Alesp a pedido da assessoria de Capez

Na última quarta-feira (4/5), dois repórteres da revista CartaCapital foram barrados de entrar na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) para fazer a cobertura da ocupação do Plenário por estudantes secundaristas.

Atualizado em 05/05/2016 às 11:05, por Redação Portal IMPRENSA.

quarta-feira (4/5), dois repórteres da revista foram barrados de entrar na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) para fazer a cobertura da ocupação do Plenário por estudantes secundaristas. Um policial militar, que participava da segurança, disse que a ordem de impedir a entrada dos jornalistas partiu direto da presidência da Alesp, cargo ocupado por Fernando Capez (PSDB-SP). Crédito:Rovena Rosa/Agência Brasil Jornalistas entraram na Alesp após negociação com assessoria da presidência da Casa

De acordo com o veículo, depois de 40 minutos do primeiro pedido de autorização para que os jornalistas entrassem na Assembleia, o editor de vídeo do veículo, Yghor Boy, foi confundido como repórter de outra empresa e ouviu o desabafo de um dos policiais: "Aquele ali, por exemplo, é da CartaCapital . Ele deve ter feito alguma coisa que realmente encheu o presidente, porque a ordem que veio lá de cima era pra não deixar eles entrarem. Eles disseram: 'fala pra eles aguardarem aí, dá alguma desculpa, mas não deixa eles entrarem".

Enquanto ouvia este diáologo, a PM sob as ordens da assessoria de Capez já havia liberado a entrada de jornalistas do Estadão e portais G1 e R7, que chegaram ao local depois da reportagem de CartaCapital .

O equipe só teve acesso ao interior da Alesp após contato direto entre a redação da revista e a assessoria de Capez, que ligou diretamente para os policiais determinando a entrada dos jornalistas. A assessoria da presidência da Alesp não se manifestará sobre o caso.

Outro lado

Procurada por IMPRENSA, a assessoria do deputado negou o ocorrido. "Isso não procede. Estamos a atendendo a todos da imprensa. Não procede!"


Entenda o caso

Em abril, a revista revelou que o lobista Marcel Júlio, principal delator no esquema de desvio de verbas da merenda escolar, citou Capez como integrante do esquema.

Ainda no mesmo mês, CartaCapital também denunciou que parentes do deputado estavam na mira do Ministério Público. A reportagem gerou ameaças de Rogério Auad Palermo, cunhado de Capez, ao repórter Henrique Beirangê, autor da denúncia. A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) considerou as ameaças de Palermo como uma tentativa de "intimidar o profissional e, pela força, censurar a revista”.




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