Repórter tcheca é condenada a pagar multa por não revelar identidade de fonte

Repórter tcheca é condenada a pagar multa por não revelar identidade de fonte

Atualizado em 11/02/2009 às 14:02, por Redação Portal IMPRENSA.

A repórter checa Sabina Slonkova foi condenada a pagar multa de 700 euros por ter se recusado a revelar o nome de quem lhe entregou filmagens comprometedoras de um funcionário público.

A decisão se refere ao caso do portal noticioso Aktualne.cz que publicou filmagens captadas no Hotel Savoy, em Praga, de um encontro clandestino entre Jiri Weigl, chefe de pessoal do presidente Vaclav Klaus, e Miloslav Slouf, que possuía fortes ligações com o submundo checo, em fevereiro do ano passado, pouco antes das eleições presidenciais.

A investigação sobre o caso acatou a decisão da jornalista em preservar sua fonte, menos um procurador, que instaurou inquérito contra a repórter por violação de leis de privacidade. Desse modo, um tribunal em primeira instância a multou em 700 euros.

De acordo com informações do site português Jornalistas Online, esta não é a primeira vez que Sabrina Slonkova sofre represálias por conta de seu jornalismo investigativo. Em 2002, cinco pessoas foram presas depois de a polícia ter desmontado uma conspiração de alto nível para matar. Um dos envolvidos era Karel Srba, ex-funcionário público que foi denunciado em reportagem feita por Slonkova em razão de procedimentos ilegais no Ministério dos Negócios Estrangeiros.

O Instituto Internacional de Imprensa (IPI) comentou o caso e revolou-se preocupada com a "erosão do direito dos jornalistas ao sigilo profissional" que está em curso na Europa e relembra que "sem este direito", o jornalismo de investigação - e o direito do público de saber os que seus representantes estão fazendo - será afetado".

O instituto teme também que esta decisão caracterize um retrocesso geral da liberdade de imprensa na República Tcheca, pois, na véspera da confirmação da multa a Slonkova a câmara baixa do Parlamento anulou o veto do Senado a um projecto de lei que prevê a criminalização da revelação midiática de escutas policiais. Caso o presidente checo aceite este projeto de lei, jornalistas do país poderão ser condenados a pagar multas de até 180 mil euros.

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