Repórter do "Lance!" é agredido em confronto entre PMs e torcedores em Santos (SP)

Bruno Cassucci foi ameaçado e teve material jornalístico deletado por policiais

Atualizado em 01/12/2014 às 10:12, por Redação Portal IMPRENSA.

* Atualizado às 15h45

O repórter Bruno Cassucci, do Lance!Net, foi agredido no último domingo (30/11) enquanto cobria a confusão entre a Polícia Militar (PM) e torcedores de Santos e Botafogo após a vitória do time paulista por 2 a 0, na Vila Belmiro.
Crédito:Reprodução Jornalista foi agredido e ameaçado por policias durante briga na Vila Belmiro
Segundo o Lance! , a reportagem tentava se aproximar do local para registrar o incidente e verificar quantas pessoas foram feridas e presas. Neste momento, Cassucci foi detido, revistado e agredido sob a mira de uma arma. Um policial pegou o celular e apagou todas as imagens, enquanto o colega pegou uma bomba de efeito moral e colocou dentro da calça dele e ameaçou liberá-la. Em seguida, o PM solicitou um documento do jornalista, que foi liberado dez minutos depois com a condição de que não retornasse.
A tensão teve início quando torcedores do Santos tentaram invadir a rua onde estavam os botafoguenses, que também partiram em direção ao time. Durante a briga, foram arremessadas bombas, pedras e paus. Mais tarde, o confronto passou a ser entre a PM e os santistas. A sede da organizada Sangue Jovem, na rua Paisandú, ao lado do estádio, foi invadida e várias pessoas ficaram feridas.
Em seu perfil no , Bruno Cassucci relatou o episódio que classificou como "o pior dia" de sua carreira jornalística e "um dos piores" da sua vida. "Escrevo aqui não para fazer juízo de valor, nem generalizar uma classe que sei que é mal paga, mal equipada e que deveria servir a uma sociedade que em boa parte lhe detesta. Como jornalista, acredito que não há opinião sem informação, e é por isso que venho aqui relatar o que vivi na tarde desse domingo", justificou.
O jornalista conta que no momento em que o PM apagava as imagens que registrou, uma outra autoridade pediu que ele não olhasse para trás. Instintivamente, ele desobedeceu a ordem e foi agredido no rosto. Carsucci tentou argumentar mais de duas vezes que estava apenas exercendo seu trabalho, mas não adiantou.
Um outro oficial se aproximou e disse que ele estava ali para "defender torcedor" e que a imprensa apenas mostrava quando a polícia bate "nesses caras". "A minha intenção era exatamente outra, ouvir algum responsável pela operação para tentar entender o que estava acontecendo", alegou.
"Já estou em casa, sem qualquer arranhão no corpo, mas com a adrenalina ainda a mil. Saber que todos os dias abusos desse tipo e outros muito piores acontecem com gente que não sabe ou não tem como se expressar é o que preocupa. Sei de todos os privilégios que tenho por ser branco, não viver na periferia e ter tido a oportunidade de estudar. Se passo por situações como essa, com certeza há quem viva coisa muito pior diariamente", finalizou.
Repúdio

À IMPRENSA, o Diretor Regional do Sindicato dos Jornalistas de Santos, Carlos Ratton, disse que entregará, pessoalmente, um ofício ao coronel PM Ricardo Ferreira de Jesus, Comandante do 6º. BPMI – SP, para pedir providências contra os policiais que agrediram o repórter. "Isso é um absurdo e não pode acontecer novamente", pontuou.
Ratton informou que convidará o jornalista para acompanhá-lo até o batalhão para tentar reconhecer os policias que o agrediram. Segundo ele, este é o segundo caso semelhante que ocorre na região.
"Diante de toda essa atrocidade, dessa falta de preparo, dessa afronta à cidadania, ao trabalho e a dignidade humana, exijo a punição de todos os policiais que abordaram o jornalista Bruno Cassucci de Almeida, que em visita ao batalhão poderá identificar um por um. Na certeza que esse Comando tomará uma atitude contra esses péssimos exemplos de policiais militares", diz um trecho do ofício.

Em nota, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) diz que a violência empregada contra o repórter é "injustificada e inaceitável, além de um grave atentado à liberdade de expressão". A entidade também afirma que o episódio é "característico de contextos autoritários".
"A Abraji exige que o governo de São Paulo, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo e a Corregedoria da Polícia Militar identifiquem o mais rápido possível os responsáveis pelas agressões ao repórter e os punam com o rigor da lei", exigiu a entidade.