Repórter do "Jornal do Commercio" lança biografia do ex-pugilista Popó, em SP

Imagine você escrever uma crônica despretensiosa sobre um de seus ídolos, publicar do Facebook e este texto chegar às mãos do seu homenageado?

Atualizado em 28/11/2013 às 14:11, por Vanessa Gonçalves.

E, como não bastasse, como agiria se, seis meses depois, ele o procurasse para escrever sua biografia?

Isso não é um sonho. Esta é a história do jornalista Wagner Sarmento, repórter do Jornal do Commercio, de Recife (PE), que lança, nesta quinta-feira (28/11), em São Paulo (SP), o livro "Com as próprias mãos", obra que fala sobre a vida do ex-pugilista e atual deputado federal Acelino “Popó” Freitas.
Com apenas cinco anos de formação em jornalismo e história, Sarmento não pensava que uma situação como esta pudesse acontecer. À IMPRENSA, ele conta como foi viver este processo que, em pouco tempo, mudou sua rotina, dando um importante salto em sua carreira.
Crédito:Divulgação Jornalista foi convidado para escrever biografia após crônica sobre Popó
IMPRENSA - Como surgiu a oportunidade de escrever a biografia do Popó, ainda mais para você que, geralmente, se dedica a pautas ligadas à área social e de direitos humanos? WAGNER SARMENTO - Não trabalho diretamente com esportes, embora goste muito. Eu não conhecia o Popó. Era só mais um entre os milhões de fãs que ele tem Brasil afora. Ano passado, ele foi desafiado pelo lutador Michael Oliveira, que tinha 22 anos na época, e estava há cinco anos sem lutar. Ele aceitou este desafio, porque foi um pedido do seu filho mais novo – Popozinho -, que nunca tinha visto o pai lutar. Ele resolveu fazer esse combate e toda a imprensa especializada vaticinava que seria um vexame para ele. Mas, contrariando todas as previsões, ele foi avassalador e venceu o Michael. Fiz uma crônica despretensiosa sobre isso e postei no Facebook. E o pessoal começou a compartilhar e este texto chegou ao Popó e, no dia seguinte, gravou um vídeo e postou no YouTube me agradecendo pelo texto.

Seis meses depois, o assessor dele me procurou dizendo que ele tinha interesse em fazer uma biografia. E fomos conversando, afinando as relações e foi bem rápido o acerto para fazer o livro.
Quanto tempo ficou dedicado a isso? Entre apuração e a escrita foram cerca de oito a nove meses. Foi rápido porque ele queria lançar ainda este ano. Foi uma correria. Eu ia a Salvador, passava o fim de semana grudado, conversando com ele. Falei com mãe, com os irmãos, com os ex-treinadores. Não me preocupei em só ter um relato único dele, eu quis também ouvir pessoas que se acercaram dele, pessoas que tinham histórias dentro da história dele. Ou seja, todo mundo que pudesse contribuir para falar sobre todas as fases da vida, para que isso pudesse enriquecer a obra.
Quais os principais desafios de contar a história de ídolo nacional, ainda mais em tempos em que as biografias estão em discussão? Quando comecei, essa discussão nem tinha recrudescido desta forma. Desde o começo tinha consciência de que o fato de ser uma biografia autorizada ou não, o ponto de partida é o respeito. O escritor tem que ter respeito pelo seu biografado. Isso era o ponto de partida. Em uma conversa inicial deixei claro que, mesmo sendo uma biografia autorizada, não ia deixar de colocar nada. Ele tem uma trajetória limpa, não havia nada que precisasse ser ocultado. E nenhuma trajetória, seja de quem for, não são só flores. Vai ter, inevitavelmente, fatos complicados, coisas desagradáveis que quer esquecer, mas não podem ser ignoradas ou deixadas de ser cortadas. Foi tranquilo. Ele confiou bastante, então o livro conta toda essa saga brasileira que é a vida do Popó.
Crédito:Divulgação Livro retrata trajetória do ex-pugilista
O distanciamento da sua atuação profissional com o esporte ajudou na produção do livro? Acho que sim. Nunca quis, apesar de gostar muito de esporte, trabalhar com isso. Acho que este distanciamento de ajuda, me desobriga um pouco de certas coisas. Mas, também, o fato de não trabalhar nesta área não me tornava uma pessoa sem conhecimento do assunto, porque como admirador do esporte, e como fã, sempre acompanhei.

Em alguns aspectos, a vida de Popó parece uma "cópia" do filme "Rocky, o lutador", especialmente no que diz respeito à superação. Como retratar essas experiências sem cair no pieguismo? Na verdade, não sou muito eu quem tem que dizer se consegui ou não [evitar cair no pieguismo]. Espero que quem leia não entenda assim, porque, de fato, é uma linha muito tênue entre uma seara e outra, entre cair no pieguismo ou não, entre você errar a mão e acertar a mão. Simplesmente, tentei relatar. Tenho um estilo próprio de escrever, referências que fazem com que esse estilo próximo à poesia, crônica, essa linguagem mais leve. Mas acho que o principal de tudo era relatar o que de fato aconteceu. Nada está amplificado. A realidade em si, da penúria em que ele cresceu e se criou já é muito gritante, então tinta nenhuma seria necessária [para aumentar isso]. Bastava contar a realidade que ela teria o tom e o apelo que a história, em si, pede.

Você escreveu a obra visando que tipo de leitor? Para falar a verdade, nem pensei muito nisso. O fato de eu não trabalhar com esporte acho que me ajuda, porque não estou falando só para o leitor dessa área. O fato de eu não ser um teórico do boxe fez com que eu não fizesse um livro muito técnico para que, de repente, uma dona de casa que quisesse ler não se perdesse entre “jabs” e “cruzados”. Você tem de tudo ali, então acho que isso torna o livro para todo mundo.
Como tem sido a repercussão deste lançamehto? Tem sido bem bacana. Para mim, é um universo muito novo. Tenho só cinco anos de formado como jornalista e historiador. É meu primeiro livro e já começar com um desafio deste tamanho me deixou muito ansioso. É uma lógica muito diferente do jornalismo: você apura 50 páginas para escrever 50 linhas. No livro, seu universo é muito mais amplo. Mas a aceitação está sendo boa.

Após esta experiência, pensa em se aventurar na literatura em outra oportunidade? Penso. Eu vivo de escrever. Este livro só nasceu porque eu escrevi um texto para mim, para os meus amigos. Minha paixão foi recompensada de uma forma totalmente inesperada. Estava muito mergulhado nessa história toda, mas penso sim [em fazer outros livros]. Gosto de escrever muito sobre perfis, coisas relacionadas ao esporte, trajetórias pessoas, poesias. Sou muito novo, então projetos e sonhos não faltam. Quero ter espaço para colocar isso no papel.


Serviço:

"Com as próprias mãos", Wagner Sarmento - Panda Books

Data: 28 de novembro

Horário: 19h

Local: FNAC Paulista

Endereço: Av. Paulista, 901 - São Paulo - SP



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