Repórter do Washington Times perde o emprego após criticar jornal

Repórter do Washington Times perde o emprego após criticar jornal

Atualizado em 08/06/2010 às 12:06, por Silvia Dutra/Colaboração ao Portal IMPRENSA e  dos Estados Unidos.

Repórter do Washington Times perde o emprego após criticar jornal

Por A repórter Julia Duin perdeu o emprego na última semana, após criticar publicamente o jornal Washington Time s, no qual ela trabalhou nos últimos 14 anos escrevendo sobre religião. Suas críticas foram publicadas no começo de maio no jornal concorrente, o Washington Post , como parte de uma sobre a provável venda do WT para um consórcio de investidores. O texto, de autoria do jornalista Ian Shapira, abordava ainda a disputa pelo poder entre os herdeiros do fundador do jornal e as dificuldades financeiras que o WT tem enfrentado nos últimos anos, bem como as medidas que foram tentadas - sem grande sucesso - para contornar a crise.
Divulgação
Júlia Duin
Júlia Duin disse que "o que todos sentem é que (o Washington Times ) é um navio totalmente à deriva. Ninguém sabe quem está no comando. São os diretores? Não sabemos". Ela ainda acrescentou que "até cobras temos na redação".
A repórter não estava sendo sarcástica ou tentando ofender colegas ou a chefia. Ela se referia a um réptil de verdade, uma cobra negra de um metro de comprimento que semanas antes havia sido encontrada pelo repórter John Haydon embaixo de uma mesa, na redação do Washington Times .
O susto rendeu a foto da visitante indesejada na página que Haydon mantém na rede social e um post conciso, no qual ele conjecturava que a cobra teria chegado à redação através do sistema de ventilação e ar condicionado do prédio. E ainda brincava que ela não passaria fome, considerando a quantidade de ratos do local.
Criado em 1982 pelo fundador da Igreja da Unificação, o reverendo Sun Myung Moon, o Washington Times está atolado em dívidas desde que um dos filhos de Moon, Justin, decidiu cortar grande parte do subsídio anual de 35 milhões de dólares que o império econômico e religioso injetava para manter o jornal circulando. Isso forçou os executivos do jornal, liderados pelo outro filho de Moon, Preston, a implementar mudanças na administração, entre elas, a redução deliberada da tiragem, aumento no preço dos exemplares vendidos em bancas e das assinaturas, eliminação de cadernos sobre esportes e assuntos metropolitanos e redução dos quadros profissionais das áreas administrativa e editorial.
Como nada disso conteve a crise, o WT está desde maio no mercado, esperando comprador, e um de seus diretores, Nicholas Chiaia, admitiu que já estariam acontecendo negociações com grupos interessados em comprar ou fazer parcerias com o jornal.
A matéria de Shapira não trouxe nenhuma grande novidade, além da admissão oficial de que o jornal estaria prestes a mudar de mãos. Já tinham sido amplamente divulgadas todas as dificuldades do WT, a disputa pelo poder entre os herdeiros de Moon e até o episódio da cobra na redação. Em email encaminhado à Ian Shapira dias após a publicação de suas críticas e só tornado público após o anúncio de sua demissão, Júlia previa que seria demitida.
"Aparentemente eu quase fui demitida segunda-feira por ter falado com você, mas parece que decidiram deixar passar algumas semanas antes de me botarem pra fora. Parece que o que eu disse sobre a cobra fez cair o preço do jornal (nas negociações) em alguns milhões de dólares... A iminência do fim da minha carreira de 14 anos no WT seria suportável se houvesse um emprego decente esperando por mim aí fora, mas atualmente ninguém está fazendo fila para contratar quem escreve sobre religião. Além do mais sou uma mãe solteira, sem um marido conveniente para me dar suporte". Sam Dealey, editor do WT , negou que a demissão de Júlia tenha sido uma retaliação às críticas que ela fez ao jornal. Ele disse que os executivos não vêem futuro na cobertura de assuntos religiosos e que os motivos foram puramente econômicos, "para cortar custos".

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